O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 30/06/2019
O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento denomina os agrotóxicos como substâncias químicas, físicas ou biológicas que preservam a produção agrícola. Contudo, o uso desses produtos vem sendo associado a danos ambientais e ao desenvolvimento de diversas doenças, além dos divergentes interesses político-econômicos envolvidos no agronegócio que colocam em cheque o manejo adequado dos defensivos agrícolas.
Em primeira análise, ressalta-se que a manutenção da vocação agrícola brasileira, há muitos anos defendida pelos interesses estadunidenses, torna a saúde ambiental, humana e animal cada vez mais vulnerável. Não obstante, para aumentar a arrecadação financeira, agricultores excedem o limite máximo de resíduos agrotóxicos nos alimentos, apesar da existência da Lei 7802 de 1989 a qual regulamenta a quantidade permitida, conforme mostrou pesquisa realizada pela ANVISA entre os anos de 2013 e 2015. Nesse sentido, não apenas o consumidor final está em risco de câncer e doenças neurodegenerativas, mas também o trabalhador rural por apresentar pouco conhecimento acerca dos malefícios causados pela exposição prolongada aos pesticidas, além do próprio ecossistema em torno das lavouras e da possível contaminação dos recursos hídricos.
Ademais, as divergências de interesses as quais permeiam as decisões político-econômicas no agronegócio pouco consideram os danos socioambientais, uma vez que manter um bom lucro na exportação agropecuária é o foco principal. Dessa forma, o Ministério da Agricultura defende a liberação de mais 42 agroquímicos na última semana de junho de 2019, mesmo especialistas, pesquisadores e mecanismos de comunicação expondo a falta de fiscalização e de orientação técnica ao agricultor sobre a estocagem e a aplicação adequadas dos produtos. Outrossim, destaca-se a precarização de políticas públicas que deem suporte ao trabalhador rural, que encontra no trabalho no campo sua única fonte de sustento, ficando, assim, suscetível a um ambiente de trabalho totalmente insalubre, proporcionado pelos “novos barões do café”.
Evidenciam-se, portanto, variados riscos relativos ao uso de agrotóxicos. Para que ocorra uma adequada redução desses perigos, urge a necessidade de maior aproximação entre organizações sociais e ambientais com os órgãos de fiscalização e atenção e mecanismos midiáticos, por meio de divulgação de informações em redes sociais, palestras sobre riscos e benefícios dos agrotóxicos - em igrejas, escolas, feiras - orientados por profissionais da saúde e da educação, apoio das ONGs e líderes de comunidades, além maior socialização de pesquisas científicas sobre o assunto e intercâmbio com países que racionalizaram o uso dos defensivos agrícolas.