O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 29/06/2019

Desde a época do Brasil Colônia, a população brasileira muitas vezes é negligenciada em frente a uma possibilidade de maiores lucros para os grandes agricultores, o que se mostra pelas quantidades colossais de agrotóxico utilizadas na agricultura, que crescem exponencialmente com o decorrer dos anos. Apesar da tendência do maior uso de veneno nas produções seja global, o Brasil se destaca com o uso de 20% dos agrotóxicos produzidos no mundo, fazendo com que milhares de brasileiros apresentem casos de intoxicação ao manusear tais produtos e até mesmo sinais de depressão e outras psicopatologias, como a ansiedade.

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde mostra que, de 1990 a 2012, 2.449 pessoas morreram por intoxicação de agrotóxicos, um número assustador e que aumenta consideravelmente quando se adiciona os casos de pessoas que não chegaram a morrer, mas enfrentaram paradas cardíacas, convulsões e desmaios, somando 114.598. A grande maioria dessas pessoas são as que lidam com o agrotóxico antes dele chegar a mesa, os agricultores, com muitos deles não usando nenhum tipo de equipamento de proteção ao manusear produtos de perigo mediano a elevado de acordo com a classificação de toxicidade.

Para piorar o quadro, o número de casos de pessoas diagnosticadas com depressão ou com outros tipos de distúrbios comportamentais, como a ansiedade, relacionados ao uso de agrotóxicos também se torna absurdo. Em cidades onde o veneno está muito presente no dia a dia dos moradores, como em Limoeiro do Norte, no Ceará, os casos de suicídio chegam a ser até 5 vezes maior do que no Brasil como um todo. Estudos apontam que o uso dessas substâncias impregna o sistema nervoso central alterando a produção de serotonina, que sofre uma forte queda, levando a um quadro perigoso de depressão que muitas vezes acaba em suicídio.

É possível concluir, portanto, a importância da diminuição do uso de agrotóxicos na produção agrícola do Brasil e do mundo inteiro. Para tal, é imprescindível que o governo atue proibindo os compostos químicos mais agressivos e mais relacionados aos casos de câncer e distúrbios neurocomportamentais, além de investir em insumos à produção orgânica e atuar na conscientização dos agricultores sobre os perigos do uso inadequado do veneno por meio de campanhas com propagandas e palestras.