O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 30/06/2019
A Revolução Verde foi uma inovação no ramo agrícola que ocorreu na década de 50 e compreendeu melhorias nos insumos, no uso intenso de maquinários e na redução de custos na produção. Sabe-se que tal revolução foi mais intensa em países desenvolvidos, e mesmo no Brasil ela se faz muito presente, como por meio de agrotóxicos, os quais auxiliam no controle de pragas, melhorando a situação dos agricultores - e até mesmo da economia brasileira. Portanto, eles são de extrema importância, mas têm sido usados de forma inadequada, causando consequências sanitárias e ambientais.
No que tange às questões de saúde, nota-se que defensivos agrícolas têm prejudicado muitos cidadãos, em especial agricultores e consumidores, mesmo este sendo um direito previsto no artigo 196 da Constituição: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Segundo um estudo feito pelo Programa de Vigilância da Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos da Unicamp, 1,5 milhão de trabalhadores rurais estão intoxicados, além de dados do Ministério da Saúde indicarem que quase 115 mil pessoas entre 1999 e 2012 sofreram intoxicações agudas devido a agrotóxicos, mostrando, pois, que há certa deficiência no que diz respeito a orientação sobre o uso de tais produtos químicos.
Além de trazerem consequências para os seres humanos (quando utilizados de forma inadequada), os fitossanitários são responsáveis por parte da poluição do solo, dos lençóis freáticos e contaminação de seres aquáticos. Isso é o que mostram informações contidas no site “Tratamento de Água”, afirmando, inclusive, que os agrotóxicos podem ser responsáveis por 70% da contaminação de água doce no mundo, e que as sequelas para algumas espécies podem ser irreversíveis. Sem contar que os mesmos acabam por reduzir drasticamente a fertilidade do solo, tornando-o ácido, não só por alterar sua composição química, mas também por exterminar agentes que são positivos para a reposição de nutrientes, como, por exemplo, as micorrizas (simbiose entre fungos e raízes).
Tendo em vista as respectivas consequências, infere-se que medidas são necessárias para combater o problema da má utilização de agrotóxicos. Portanto, cabe ao Ministério da Saúde e ao Ministério da Agricultura a responsabilidade de instruir a população acerca do uso de fitossanitários, por meio de encontros presenciais e divulgações na mídia (como nas redes sociais, já que são um canal com um vasto público), para que, com uma maior fiscalização da Anvisa enviando fiscais às terras produtivas, possam reduzir os casos de intoxicação da população e poluição do meio ambiente.