O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 30/06/2019

Devido à herança colonial de dependência econômica de exportação de commodities, o Brasil, gradativamente, busca modernizar o seu sistema agrícola. Nesse âmbito, desde 1960, com a Revolução Verde, a inserção de agrotóxicos nas lavouras tornou-se uma solução para o aumento da produtividade e um entrave para a saúde pública. Assim, o uso indiscriminado e inconsciente dessas substâncias, apoiado por diversos setores políticos, somado a uma legislação fraca, justifica a colocação do país em primeiro lugar no ranking de consumo de agroquímicos no mundo conforme publicado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

No raciocínio desse contexto, é notável que o uso, nas plantações, de produtos químicos nocivos à  saúde do próprio ser humano é impulsionado pelo sistema produtivo vigente. Dito isso, segundo o filósofo e economista Adam Smith, " A finalidade de toda a produção é o lucro", o que justifica a maximização da exploração dos bens da natureza, a qualquer custo, obtendo maior eficiência possível em menor espaço de tempo. Dessa forma, de acordo com a Anvisa, dois terços dos alimentos ingeridos pelos brasileiros estão contaminados com agrotóxicos, fato que os torna vulneráveis ao desenvolvimento de doenças crônicas, como câncer e distúrbios neurológicos e, concomitantemente, que mostra a violação do direito humano à alimentação adequada em relação à qualidade dessa.

Ademais, a persistência da bancada ruralista na participação da política brasileira desde o período colonial é um empecilho na elaboração de formas alternativas para aumentar o rendimento agrícola sem proporcionar danos ao meio ambiente e à população. Por exemplo, em 2018, foi aprovado o projeto de lei conhecido por “PL do veneno”, já que propunha agilizar o consentimento de novos agrotóxicos no país, pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, a qual disseminava o seu pensamento de que longos processos de licença atrasavam o agronegócio da nação. Em decorrência dessa situação, no Brasil ainda há a utilização de agrotóxicos que já foram proibidos em outros países, o que torna os brasileiros suscetíveis à deteriorização de sua saúde de um modo silencioso e a longo prazo, pois não existe uma ampla divulgação da quantidade utilizada desses praguicidas nos alimentos.

Visto que ainda há muitos obstáculos para a eliminação de produtos químicos da alimentação da população, novas medidas são necessárias. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a ONG responsável pela Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, promover a divulgação da petição de assinaturas para pressionar o Poder Executivo a agir acerca da proibição dos agrotóxicos já banidos em outros países do mundo e da pulverização aérea, por meio da divulgação desse projeto nas redes sociais, meios de alto alcance populacional, afim de acabar com o consumo desses venenos.