O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 01/07/2019

Criado para ser utilizado como arma química durante a Primeira Guerra Mundial, foi a partir da Revolução Verde que os agrotóxicos assumiram um papel marcante à mesa das famílias ao redor do mundo. Desde então, ao passo em que crescem estudos voltados à comprovação dos efeitos negativos dessas substâncias, evidencia-se, também, uso cada vez mais indiscriminado nas plantações brasileiras, o que se deve principalmente à legislação frágil em seu controle e fiscalização.

Quando Chico Mendes discorreu sobre agricultura e desmatamento, não poderia prever os pesticidas como uma outra consequência das tentativas de obtenção de terras cada vez mais produtivas. Enquanto os países europeus despendam esforços legais para frear o consumo dessas toxinas, no Brasil observa-se uma tendência à flexibilização dos aparatos legislativos. É tão tal que, apesar de seu consumo ter chegado a mais de um bilhão em 2014 - segundo dados da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO) - o país assiste às tentativas de tornar mais frouxa a Lei dos Agrotóxicos instituída em 1989, através da permissão para uso acima da quantidade já aceita e adesão de outros tipos de tóxicos reconhecidamente nocivos à saúde e à terra.

Importante ressaltar, ainda, que elevados índices de utilização de materiais dessa natureza estão relacionados à contaminação de rios, lagos e reservatórios de água próximos a plantações, além do próprio solo, que, diante da exposição constante, pode tornar-se improdutivo. Além dos impactos ambientais, o manejo e consumo de alimentos intoxicados estão sendo associados ao desenvolvimento de doenças na população, especialmente o câncer.

Evidencia-se, portanto, que os agrotóxicos acarretam repercussões negativas para a sociedade. A fim de minimizar sua aplicação na agricultura brasileira, as instituições federais, estaduais e municipais ligadas ao meio ambiente e a agricultura devem, por meio de aprimoramento na Lei dos Agrotóxicos, evitar que novos produtos obtenham autorização para  uso, bem como tornar mais rigorosos os valores limítrofes daqueles já permitidos, visando a redução progressiva ao longo dos anos e promovendo uma fiscalização e punição mais efetiva para os usuários que ultrapassarem esses limites. Cabe, também, o incentivo à plantação consciente, através de parcerias com empresas privadas e ONGs especializadas no tema.