O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 01/07/2019

Visando maior produtividade e lucro agrícola, o Brasil tornou-se um grande consumidor de agrotóxicos. Tal denotação torna-se problemática, posto que o uso exacerbado dessas substâncias origina diversos problemas de saúde. No entanto, os evidentes prejuízos causados pelos defensivos agrícolas não são motivo suficiente para a regulamentação justa de seu uso no país.

Segundo dados da FAO, em 2013, o Brasil foi o país que mais gastou com agrotóxicos no mundo. Entretanto, mesmo com o enorme consumo, o país não é o campeão mundial em produção agrícola; ainda assim, é inegável a posição de destaque que o país ocupa há anos, a qual é protagonista nos motivos para o uso contínuo de pesticidas, seja no cultivo de soja, seja no de algodão. Entretanto, a utilização imprudente é recorrente no país, e ocorre porque, no decorrer dos anos, a agricultura brasileira tornou-se dependente dessas substâncias, posto que as pragas presentes no solo brasileiro tornaram-se mais resistentes, bem como sementes melhoradas já são fabricadas objetivando seu uso. Dessa forma, cria-se um ciclo vicioso e atroz, no qual o agricultor precisa estar em contato constante com os agrotóxicos, mesmo que essas sejam maléficos a sua saúde.

Conforme relatórios emitidos pelo Ministério da Saúde, no ano de 2018, foram notificados 84.206 casos de intoxicação por exposição a agrotóxicos no Brasil. Tal dado é extremamente preocupante, visto que evidencia os danos causados pelos químicos que estão cotidianamente presentes na vida dos cidadãos. Ainda que se saiba que não existe uso seguro de agroquímicos, a situação brasileira possui um agravante, pois substâncias e métodos de aplicação que são proibidos em outras regiões do planeta, são permitidos e corriqueiros no país. Entre essas práticas, pode-se citar a utilização de aviões para aplicação de pesticidas, prática irresponsável que contamina áreas urbanas, e o consumo de quatorze substâncias altamente nocivas proibidas em grande parte do exterior, entre elas, o Endosulfan, responsável por prejudicar os sistemas reprodutivo e endócrino dos indivíduos.

Portanto, diante dos imbróglios causados pela presença danosa e exacerbada de agrotóxicos, são necessárias mudanças. Cabe ao Executivo Federal, por meio do Legislativo, o desenvolvimento de um projeto de lei que tipifique como crime o uso excessivo de agroquímicos, bem como sua aplicação indevida, a fim de evitar a exposição desnecessária de indivíduos e os danos ao meio ambiente. Faz-se pertinente, também, que seja concebida uma parceria entre a Anvisa, o Ministério e as Secretárias Estaduais de Agricultura, a fim de aprimorar a fiscalização de pesticidas no país, através da capacitação e ampliação do quadro de funcionários, e impulsionar novas formas de controle de pragas. Assim, no futuro, será possível que o Brasil minimize o uso letal dos defensivos agrícolas.