O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 01/07/2019
Individualismo tóxico
O termo modernidade líquida, cunhado por Zygmunt Bauman explica o individualismo presente na discussão a respeito do uso de agrotóxicos, uma vez que os interesses pessoais são priorizados em detrimento da moral e do bem comum. Neste contexto, torna-se evidente que o uso de exacerbado de defensivos agrícolas é uma consequência da negligência governamental aliada à cultura capitalista vigente na sociedade.
Após a Segunda Revolução Industrial, a produção em massa, idealizada por Henry Ford, fez-se o principal modelo empresarial por objetivar maiores ganhos. Esse padrão persiste até hoje na superprodução de alimentos, o que incentiva o uso de herbicidas e pesticidas. Portanto, é indubitável o vínculo existente entre a maximização dos lucros e o emprego de substâncias tóxicas na geração de produtos alimentícios.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, cerca de um terço dos alimentos produzidos são desperdiçados. Não obstante, quase um bilhão de pessoas ao redor do mundo padecem de fome crônica. Diante dessa incongruência, é inequívoco afirmar que os desafios para a diminuição do uso de agrotóxicos estão relacionados também com a estruturação desigual da coletividade, visto que, uma minoria desfruta de fartura ao passo que um grande contingente de pessoas permanece vivendo miseravelmente.
Destarte, é inegável que a problemática dos defensivos agrícolas é o resultado de uma cultura devota ao dinheiro somada à falta de fiscalização por parte de entidades públicas responsáveis. Dessa forma, é pertinente ao Estado na figura do Ministério da Agricultura promover campanhas afim de conscientizar a população do perigo dos agrotóxicos, bem como, em sinergia aos legisladores, é dever do Estado regulamentar rigidamente o uso de defensivos agrícolas para que, como resultante dessas medidas, o debate sobre saúde pública seja democratizado, de modo a se afastar do individualismo descrito por Bauman.