O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 16/07/2019

§ O crescimento exponencial da população mundial tem gerado inúmeras preocupações, especialmente acerca da produção de alimento suficiente para sustentar 7,6 bilhões de pessoas. Assim, o desenvolvimento de agroquímicos para controle pragas que comprometem a produção torna-se intenso e a adoção destes por países agroexportadores (como o Brasil) é inevitável, acarretando no uso de inúmeros tipos de agrotóxicos para aumentar a produtividade das lavouras. Nesse contexto, é fundamental analisar como o uso excessivo dessas substâncias influenciam na saúde das pessoas que as manuseiam e consomem, bem como as consequências negativas que trazem ao meio ambiente.

§ Em primeiro plano, ressaltamos que o Brasil, desde 2008, é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e, segundo a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), 15 dos 50 pesticidas mais usados aqui são proibidos na Europa. Esse quadro preocupa profissionais da área da saúde, pois há comprovação científica de que a exposição rotineira a substâncias presentes nos agrotóxicos causam distúrbios neurocomportamentais (como depressão), câncer e até má formação de bebês no período gestacional. Tudo consequência da aplicação irregular dos produtos nas plantações, ocasionada pela falta de informação dos pequenos produtores rurais, muitas vezes feita sem equipamentos de proteção adequados e em dosagens acima do indicado pelos fabricantes e especialistas da área.

§ De outra parte, devemos levar em conta a dimensão do impacto que os defensivos agrícolas trazem ao meio ambiente - contaminação do solo e da água (rios e lençóis freáticos), desequilíbrio do ecossistema local e comprometimento da qualidade do ar de vilas e municípios próximos as plantações. Aliás, esses fatores geram um ciclo de contaminação: peixes e animais eivados pela água e solo podem chegar até a mesa das pessoas, sem que elas tenham noção de que o alimento possua traços de substâncias não sintetizáveis pelo corpo que, se acumuladas a longo prazo, tornam maior a possibilidade do desenvolvimento de câncer e tumores.

§ Fica evidente, portanto, que o Ministério da Agricultura deve intensificar a fiscalização em propriedades rurais (de agricultura familiar e exportação), por meio de visitas sem aviso prévio aos agricultores, de modo a incentivar o uso correto de equipamentos de proteção para a aplicação dos pesticidas diariamente. Além disso, promover palestras de conscientização e oficinas em parceria com os Sindicatos Rurais, instruindo o manuseio correto dos produtos fitossanitários aos trabalhadores rurais também se mostra necessário. Dessa forma, o meio ambiente será menos afetado, e a produção de alimentos para abastecer o mercado interno e externo não será comprometida.