O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 14/08/2019
A Revolução Verde, ocorrida a partir da década de 1950, foi um marco mundial na produção de alimentos e se estabeleceu como uma nova forma com a qual o mundo passou se utilizar da agricultura. Produto desse processo, o uso de agrotóxicos se intensificou sobremaneira, passando a representar um grave risco, não somente à saúde de trabalhadores rurais, mas também de consumidores. Potencialmente danosos, os agrotóxicos causam problemas ambientais irreparáveis e seu uso indiscriminado leva ao questionamento sobre até que ponto sua utilização é válida.
Em primeiro lugar, é importante destacar que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, segundo a FAO – órgão das Nações Unidas para Agricultura. No esteio da revolução do campo, o Brasil despontou como uma das soluções para o paradoxo malthusiano da falta de alimentos, autodenominando-se “Celeiro do Mundo”. Para isso, fez do agronegócio a base de sua economia e seguindo a teoria da Economia Política de Marx, determinou suas práticas privilegiando-o. O agronegócio passou a ser, desta forma, carro-chefe, baseado no uso intensivo do agrotóxico, estabelecendo uma relação de interdependência extremamente prejudicial à saúde de trabalhadores, à saúde pública e ao meio ambiente. O Celeiro do Mundo paga, dessa maneira, um alto preço para ser quem é.
Nesse ínterim, não são raros os casos de intoxicação, câncer e afecções por agrotóxicos entre os trabalhadores rurais, que comumente trabalham sem o uso de equipamentos de proteção adequados. Os consumidores, ao risco se expõe, não sabendo a procedência e a quantidade de agrotóxicos utilizada no alimento que chega à sua mesa. O meio ambiente padece pelo descarte inadequado, pela contaminação de solo, lençóis freáticos, rios e redução drástica de biodiversidade. Mesmo assim, o Brasil regulamentou em 2019, 262 novos defensivos agrícolas, de acordo com o portal G1, numa proeza inacreditável. Metade desses produtos, ainda conforme o portal, são proibidos em países desenvolvidos.
É fundamental, assim, o financiamento de pesquisas com uso de biorreguladores, insetos e tecnologia de recombinação genética, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA, em associação com pesquisadores de universidades públicas, que visem a substituição progressiva de agrotóxicos, fornecendo alternativas viáveis para uso. Bem como, o estabelecimento de campanhas de boicote, pela mídia e sociedade civil, contra empresas e alimentos que se utilizem de agrotóxicos e chegam às nossas casas, para que haja maior controle, proteção e prevenção de agravos, estabelecendo um mínimo de segurança contra esses que são verdadeiro venenos.