O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 29/08/2019

Em 1966, na conferência de Washington, William Gown criou a expressão “Revolução Verde”, a qual alegou ser o início de um processo de desenvolvimento à base de tecnologia, e não do sofrimento do povo. A partir de então, introduziu-se uma série de inovações nas práticas agrícolas que aumentaram drasticamente a produção de alimentos no mundo, como a utilização de agrotóxicos nas plantações. Eventualmente, a utilização desses biocidas teve impacto positivo no agronegócio e, em 2019 - segundo dados do Instituto Nacional do Câncer -, o Brasil alcançou a posição de maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Todavia, esse fato trás à tona uma grande preocupação com a saúde dos consumidores de tais produtos, devido a toxicidade que tais substâncias possuem. Em primeiro lugar, é importante salientar os efeitos que esses químicos podem causar aos humanos. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os defensivos agrícolas podem causar desde irritação aguda, como: alergia, náusea, vômito, diarreia e dispneia, até problemas crônicos, como: depressão, infertilidade e câncer. Nesse sentido, toda a população está suscetível a exposições múltiplas a biocidas, por meio de consumo de alimentos e água contaminados. Dessa forma, a comercialização de tais insumos fere a alegação feita em 1966, haja vista que, ainda segundo a OMS, de 1999 a 2012, 2449 pessoas morreram intoxicadas por agrotóxicos. Em contraponto, os defensores dos agrotóxicos alegam que eles são necessários para garantir o controle das pragas e doenças que atingem a plantação, além de que, todos os biocidas passam por uma análise criteriosa da Anvisa antes de serem aprovados. Todavia, a classificação destes é baseada em níveis de toxicidade, ou seja, eles variam de pouco a extremamente tóxico, o que mostra que todos esses produtos, por menor que seja, ainda causam algum mal à saúde. Além disso, hoje já existem alternativas ao uso dos defensivos agrícolas, como os biopesticidas, que, conforme a Agência de Proteção Ambiental dos Eua (EPA), causam problemas apenas a pestes específicas, e não a pássaros e mamíferos. Desse modo, pode-se concluir que os defensivos agrícolas podem ser substituídos por alternativas menos agressivas. Portanto, para solucionar a problemática dos agrotóxicos no Brasil, são necessárias medidas que priorizem a saúde da população, em detrimento do lucro dos produtores. Sob essa ótica, cabe ao Ministério da Agricultura, em parceria com o Ministério da Educação, fomentar, por meio de bolsa auxílio, a universitários dos cursos de Engenharia Ambiental, Agronomia, Química e afins, o desenvolvimento de pesquisas de teste e aprimoramento dos biopesticidas, para utilização em lavouras de larga escala, bem como promover o incentivo fiscal a empresas desse nicho, para que, progressivamente, os agrotóxicos possam ser substituídos por alternativas mais ecológicas e seguras. Só assim, tais venenos para a saúde humana serão extinguidos da agricultura brasileira e a Revolução Verde, finalmente, fará jus à sua missão.