O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 10/09/2019
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem estar social. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente ao contrário quanto à discussão do uso de agrotóxicos. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da impunidade e seus impactos sociais.
Em primeiro plano, é preciso atentar com relação à ausência de punição presente na questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”, cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentido de insegurança coletiva no que tange ao emprego exagerado no combate as pragas, impedindo caminhos que levam a solução do problema.
Além disso, o manuseio de resíduos químicos acima do permitido encontra terra fértil no individualismo e na falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Visto que, há como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi o desenfreado uso de defensivos fitossanitários causador de graves problemas ao consumidor final funciona como um forte empecilho para a sua resolução.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o Ministério da Agricultura devem desenvolver palestras em escolas, para alunos nas instituições por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas no assunto. Tais palestras devem ser webs conferenciadas nas redes sociais dos ministérios com o objetivo de trazer mais lucidez sobre o uso indiscriminado e prejudicial aos seres humanos e assim atingir um público maior. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma mais otimista para a diferença, pois como constatou Hannah Arendt “A pluralidade é a lei da Terra”.