O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 10/09/2019
Em 1874, Othomar Zeidler sintetizou o primeiro agrotóxico com o objetivo de levar as nações ao progresso por meio do controle e erradicação de doenças. Ocorre que a descoberta do químico foi subvertida na utilização do produto como defensivo agrícola, cujos efeitos são nocivos não só ao equilíbrio ambiental, mas também ao interesse coletivo. Com efeito, há de se desconstruir a omissão do Estado e o uso indiscriminado motivado pela lógica capitalista.
Em primeiro plano, persiste a indiferença das autoridades acerca do combate a utilização de agrotóxicos. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição Zumbi”, segundo o qual o Estado perdeu a sua função social, mas manteve - a qualquer custo- a sua forma. Nesse viés, o poder público brasileiro se enquadra na teoria das “Instituições Zumbis” na medida em que não há políticas públicas efetivas de fiscalização que garantam o uso correto dos defensivos agrícolas. Não é a toa, então, que segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 40 mil pessoas morreram nos últimos 10 anos em decorrência de intoxicação proveniente de produtos químicos. Assim, enquanto o problema denunciado por Zygmunt Bauman for a regra, o bem-estar da população será exceção.
De outra parte, o uso indiscriminado de defensivos agrícolas tende a beneficiar anseios particulares em detrimento da coletividade. Nesse sentido, devido ao alto faturamento da indústria de agrotóxicos, o agronegócio torna-se dependente de produtos químicos e é cada vez mais difícil controlar seu uso. Tal transtorno não deve ser tolerado, uma vez que a utilização destes insumos não só é responsável pela contaminação ambiental, mas também é a causa de muitos problemas de saúde pública, pois quando aplicados inadequadamente prejudicam o meio ambiente e a saúde dos trabalhadores rurais e dos consumidores. Desse modo, enquanto os interesses particulares subjugarem a ética com a população, o Brasil se distanciará de uma das maiores conquistas das nações desenvolvidas : o progresso da ciência.
Impende, pois, que indivíduos e instituições públicas cooperem para que haja conscientização a respeito do uso de agrotóxicos. É de suma importância que o governo, na figura do poder legislativo, desenvolva um projeto de lei que tipifique como crime o uso excessivo de defensivos agrícolas em produções rurais, com o intuito de que as normas de biossegurança sejam respeitadas e a utilização em dosagens recomendadas possa garantir o controle de pragas. Além disso, é imprescindível que o Ministério da Agricultura, em parceiria com laboratórios químicos, possam desenvolver alternativas aos pesticidas, visando a diminuição de produtos tóxicos e objetivando melhor qualidade de vida à população.