O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 27/09/2019

Um recente estudo realizado pela Fundação Oswald Cruz revelou que, em 13 anos, o Brasil teve mais de 100 mil casos registrados de intoxicação por agrotóxicos. Esses números revelam não só a precariedade no manejo do uso de substâncias químicas nas lavouras brasileiras, como também a fragilidade da legislação vigente ao tema em terras tupiniquins. Dessa forma, é preciso enfatizar soluções imediatas para a problemática em diferentes ordens: seja fiscal, seja médica.

Em um primeiro plano, deve-se entender as consequências para as pessoas e o meio do uso exagerado de praguicidas. Segundo levantamento da Unicamp, cerca de um milhão e meio de trabalhadores rurais estão intoxicados no campo. Esse dado representa não apenas aqueles em contato direto com defensivos agrícolas, mas toda uma população infectada que vive nas redondezas de campos em que há utilização de agrotóxicos, que acabam poluindo o ar, a água, e o solo. Desse modo, a contaminação não está restrita apenas ao alimento em si, mas a todos os recursos que rondam determinadas áreas de uso intensivo de agroquímicos.

Entretanto, por mais aparente que sejam os males causados pelo uso exagerado de defensivos agrícolas, a legislação peca por não coibir tal uso. A legislação vigente para este assunto data, entretanto, de 1989, ignorando 30 anos de avanços nas áreas de produção tecnológica de agrotóxicos ecologicamente corretos e de estudos relacionados à saúde humana. Portanto, seguindo uma linha de pensamento coerente com a do filósofo Johann Goethe, o estado precisa de governantes corajosos o suficiente para quebrar antigas barreiras impostas desde os tempos coloniais e impor um fim definitivo à tal questão, analisando estudos recentes e promovendo debates que auxiliem numa decisão plausível que beneficie toda a sociedade, não apenas às grandes empresas químicas e aos latifundiários.

Torna-se evidente, desta forma, que o país precisa administrar de forma mais eficiente a problemática do uso de pesticidas em seu território. Com esse objetivo, o Ministério da Agricultura, concomitante com o Ministério do Meio Ambiente, deve promover estudos nas principais universidades brasileiras com o objetivo de verificar os principais impactos na saúde humana e no meio ambiente causados pelo uso excessivo de agrotóxicos, utilizando dados de outros países e promovendo intercâmbios e extensões aos discentes, para ampliar o leque de possibilidades, quanto às inovações na área, para o mercado nacional. Ainda, cabe ao Quarto Poder, em comunhão com as diversas ONGs ambientalistas atuantes em território brasileiro (Como o Green Peace), promover campanhas midiáticas que visem à informatização das pessoas para os perigos dos produtos químicos no corpo, conscientizando e promovendo uma transformação na consciência das pessoas para a questão do uso exacerbado de agrotóxicos, no Brasil.