O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 02/10/2019

A história brasileira é repleta de modernizações conservadoras, como a substituição de importações na Era Vargas. Elas são consideradas modernizações pois trazem um novo cenário, mas são conservadoras ao passo em que mantém as estruturas de poder anteriormente vigentes. Nesse sentido, o Brasil e o mundo vivem mais uma delas no cenário da agricultura, através do agrotóxicos, que trazem inovações tecnológicas para o campo, visando extinguir a fome, porém que perpetuam a desigualdade socioeconômica, através da manutenção de uma elite agrária.

A falácia da promoção de segurança alimentar em níveis mundiais promovida pela Revolução Verde, a partir dos anos 60, ainda é muito popular e usada como argumento para o uso de insumos agrícolas prejudiciais a saúde. Então, é necessário desmenti-la: a biotecnologia é cara, por isso, consumida por grandes produtores, os quais, em geral, produzem para a exportação e, por investirem em suas lavouras, aumentam o valor agregado da colheita e o repassam para o consumidor final. Ou seja, a fome não deixa de existir, porque as pessoas atingidas por ela não têm capital e portanto, não são interessantes para o mercado. Dessa forma, os ricos enriquecem e os pobres morrem nas mãos de um sistema que prioriza o lucro gerado por agrotóxicos em detrimento do valor humano.

Além disso, essa lógica capitalista não é ruim apenas do ponto de vista humanitário, mas, principalmente, ecológico. Isso pode ser percebido através das crescentes manifestações em prol da natureza e, dentro delas, do ecossocialismo. Muito mais do que um movimento que estima o fim do modo de produção atual, ele protesta a favor de um novo conceito de uso da terra, mais respeitoso e sustentável, entendendo que ninguém será capaz de sobreviver através dos excessos sob o solo e leitos de rio, gerados pelo uso de agrotóxicos, por exemplo, às custas de um equilíbrio tão frágil quanto o da natureza. Alterações como essa são importantes de serem pensadas, pois alteram as estruturas da sociedade com foco na Terra, em vez do acúmulo de dinheiro nas mãos de poucos.

O uso intensivo de agrotóxicos é, portanto, ruim para a saúde e para a natureza, além de fazer a manutenção da desigualdade social. Logo, é necessário repensar esse consumo, através da revisão de leis, pelo Legislativo, que autorizam a comercialização de inúmeros agrotóxicos desnecessários até mesmo para as grandes produções, porque muitos têm o mesmo fim e só servem para encarecer os alimentos. Ainda, é importante que as faculdades públicas de estudo do campo, como engenharia agronômica, desenvolvam pesquisas de novos modos de produção mais ecológicos e menos dependentes dos insumos quimicos e agressivos para a saúde humana, para que as beneficiadas sejam a natureza e a população, em vez dos bolsos. Assim, a Revolução Verde será aperfeiçoada.