O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 09/10/2019
Numa sociedade vetusta, com os desdobramentos dos processos industriais, a invenção de novas práticas agrícolas e a disseminação de avanços tecnológicos voltados para a agricultura permitiram o aumento da produtividade a partir da década de 1960. Nesse contexto, a denominada Revolução Verde contribuiu para o avanço da biotecnologia e bioquímica, no entanto influenciou práticas danosas ao meio ambiente e à saúde. Persistindo atemporalmente, o uso abusivo de agrotóxicos tem causado prejuízos em diversos ramos sociais. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar este quadro destacam-se: a vantagem econômica bem como os malefícios do uso inadequado.
A priori, é evidente que as vantagens socio-econômicas influenciam os produtores rurais no uso demasiado de defensivos agrícolas. De maneira análoga a esse cenário, o documentário “O veneno está na mesa”, dirigido por Silvio Tendler, aborda as diversas vertentes da utilização abusiva de produtos químicos. Nesse contexto, além do aumento da produtividade e barateamento da produção, o informe expõe os incentivos fiscais ligados ao uso e consumo de pesticidas no Brasil. Por conseguinte, aliado aos valores da Revolução Verde, o monopólio econômico destes produtos à empresas multinacionais, como a Monsanto, acarreta o ideal de maior produtividade em detrimento da saúde, além de garantir um cenário econômico viável para a expansão dos prejuízos causados pelos venenos.
Sob outro ângulo, nota-se as consequências socio-sanitárias em virtude dos exageros de agroquímicos na sociedade hodierna. Nesse viés, o direito à saúde, garantido pela Constituição de 1988, é deturbado pelo uso inadequado de agrotóxicos, uma vez que causa danos aos trabalhadores rurais e consumidores. Consequentemente, a utilização de produtos ilegais -como o DDT, proibido em 1988 por se acumular no organismo e desregular o sistema endócrino- é fator contribuinte nos casos de intoxicação e, posteriormente, desenvolvimento de problemas respiratórios, câncer e má formação fetal. Desse modo, em busca de melhores condições produtivas, o manuseio de agentes ilícitos é corriqueiro.
Portanto, o Ministério da Agricultura, como instância máxima dos aspectos administrativos e da manutenção agrícola brasileira, deve adotar estratégias acerca de práticas produtivas mais seguras a fim de diminuir os casos de contaminação e, ainda, garantir uma boa produtividade. Essa ação pode ser feita por meio de cursos de formação sobre agrotóxicos e os perigos do manuseio incorreto. Além disso, é necessário apresentar um exemplo de produção que seja economicamente viável, socialmente responsável e ambientalmente preservacionista. Por fim, cabe à ANVISA fiscalizar melhor as áreas produtoras e oferecer uma maior rigidez legislativa, a exemplo dos modelos europeus considerados mais rígidos e, portanto, mais seguros. Talvez, assim, a problemática dos agrotóxicos será resolvida.