O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 13/10/2019

Thomas More, em sua célebre obra “Utopia”, descreve uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas, Entretanto, observa-se na atualidade o oposto ao que o autor aborda, uma vez que o uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. A perspectiva antagônica é derivada tanto de interesses de latifundiários, quanto do distanciamento estatal. Nesse contexto, questões econômicas e sociais devem ser postas em vigor, a fim de serem devidamente compreendidas e combatidas.

Convém ressaltar, em primeiro plano, que o problema advém, em muito, de interesses econômicos. Consoante ao sociólogo Karl Marx, “a história de todas as sociedades até hoje é a história da luta de classes”. Sob esse viés, é possível depreender que o uso de agrotóxicos, por parte dos burgueses, constitue uma forma de obter mais lucro frente à exploração dos proletários. Dessa forma, se por um lado os grandes proprietários de terras obtém vantagens com o uso de toxicidas, por outro, o uso desses prejudica a saúde dos trabalhadores rurais e da sociedade, visto que não há condições financeiras de comprar produtos orgânicos.

Outrossim, a falta de fiscalização estatal apresenta-se como fator contribuinte ao impasse. Sob a concepção de Thomas Hobbes, o estado é o responsável por garantir o bem-estar da população, todavia, ao observar o crescimento exponencial de doenças associadas ao uso não autorizado ou exagerado de agrotóxicos, é notório a falha estatal no que se refere à harmonia da sociedade. Em virtude disso, ocorre na esfera social a ampliação de bioacumulação - isto é, a concentração de toxicidas no corpo humano por não existir nesse, enzimas que catalizem as moléculas formadoras do veneno, resultando assim, em aumentos progressivos de doenças.

É possível defender, portanto, que impasses econômicos e socais constituem desafios a superar. Para tanto, o Ministério da Agricultura juntamente com laboratórios devem checar, antes de ir ao mercado consumidor - interno ou externo -, cada produto agrícola, com o intuito de regular a porcentagem máxima e o uso de agrotóxicos permitidos para cada item. Ademais, o Ministério do Trabalho deve fiscalizar o modo de produção dos trabalhadores rurais, de modo a evitar atividades desumanas e explorações por parte de empresários. Dessarte, e com atitudes governamentais adicionais, será possível, de fato, alcançar a utopia de More.