O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 15/10/2019
Apelidado de “celeiro do planeta”, o Brasil extrai cerca de 25% do seu PIB da agropecuária, exportação de alimentos, pesquisa e desenvolvimento de novos insumos. Embora as áreas cultiváveis do país tenham crescido pouco na ultima década, a produção e os lucros provindos do agronegócio aumentaram de forma exponencial e nesta mesma proporção, a inserção em larga escala de agrotóxicos, salientando ainda mais as preocupações ambientais e fisiológicas (danos à saúde) para com o uso destas substâncias que tomam conta da alimentação e dos ecossistemas brasileiros.
Estudo realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2018 apontou o Brasil como maior consumidor de químicas para o controle de pragas do mundo com um contingente superior a 400 fungicidas, inseticidas dentre outros venenos ao meio ambiente. A Anvisa enfatizou ainda as consequências para os recursos naturais como água, solo, fauna e flora que absorvem as toxinas que infiltram nos lençóis freáticos contaminando-os, já que a vegetação responsável por filtrar e proteger a terra é retirado no processo de expansão do cultivo e através do processo de magnificação trófica impactam fortemente na saúde dos animais que vão ingerir o agrotóxico na cadeia alimentar.
Ao passo de que sem a ampla utilização destes insumos a capacidade produtiva dos hectares nacionais despencaria, a utilização e elaboração de agrotóxicos cade vez mais perigosos se tornou algo trivial para os grandes empresários e laboratórios da industria agrícola e concomitantemente o registro de novas formulas que podem causar doenças como câncer e infertilidade é o maior da história. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o governo brasileiro até setembro de 2019 legalizou em média 63 agrotóxicos tão nocivos à saúde humana que seu uso em regiões como a Europa é proibido, evidenciando o descompasso entre o desenvolvimento econômico do país e a qualidade de vida das pessoas.
Tendo em vista os desafios em conciliar o agronegócio, a manutenção e proteção dos ecossistemas e o bem-estar da população, medidas como o enrijecimento das leis de proteção ambiental, maior rigor no processo de liberação dos agrotóxicos afim de garantir que apenas os de baixo risco à saúde possam ser comercializados. É dever do governo federal fazer levantamento mensal do número de doentes recebidos com qualquer doença contraída pela ingestão de toxinas deste tipo, tal estatística será obtida no SUS em parceria com a OMS e a ANVISA. O objetivo será multar o produtor que utiliza da fórmula química e o laboratório que a promoveu e em seguida redirecionar esta verba na forma de financiamentos mais flexíveis para o produtor orgânico, e institutos como a Embrapa, desenvolvendo sementes que não necessitem destas substâncias para se obter lucro e produtividade.