O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 24/10/2019
É evidente que a população mundial cresceu muito nas últimas décadas e por isso se desenvolveu novas técnicas agropecuárias de forma a garantir uma alta produtividade capaz de atender a grande demanda por alimento. É por este motivo que é justificado e estimulado o uso de agrotóxicos, cujas consequências maléficas tanto para o homem quanto para a natureza tem causado graves prejuízos, muitas das vezes irreparáveis. O que se deve a fatores como a busca por maior rendimento da produção e a tolerância do Estado para o uso dessas substâncias químicas.
Primeiramente, observa-se que a quantidade de pesticidas utilizados no mundo cresceu significativamente devido a procura por garantir a produtividade reduzindo ao máximo os prejuízos do plantio. Entretanto, o uso intensivo de agrotóxicos provoca o aumento da resistência de pragas à princípios ativos dos defensivos agrícolas, o que ocasiona o surgimento de superorganismo. Além disso, o fato dos pacotes de crédito rural, no Brasil por exemplo, obrigarem os pequenos produtores a usarem insumos químicos, tem induzido a formação de um sistema agrícola dependente desses produtos nocivos, que através da infiltração contaminam aquíferos, rios e o próprio solo.
Somado a essa situação, o Brasil é o país que mais consome agrotóxicos no mundo, utilizando 20% de toda a produção mundial. Isso ocorre porque no país há uma política permissiva que apesar da consciência dos perigos causados à população tanto pela exposição direta do agricultor ao pesticida, quanto pelo consumo de alimentos contaminados, há poucos investimentos na criação de medidas para amenizar os problemas e reverter a situação caótica na qual a humanidade está caminhando. Este fato se evidencia na atitude do governo brasileiro de permitir a presença desses produtos tóxicos na água potável num limite 5 mil vezes superior ao permitido na Europa. Dessa forma, o Estado tem ignorado por conveniência, seja política ou econômica, os danos provenientes dessa substância para o meio ambiente e para a população, que se alimenta diariamente desse “veneno”.
Percebe-se, portanto, o pouco caso na busca por alternativas ao uso dos defensivos agrícolas, que são extremamente nocivos. Então, a fim de se evitar sérios problemas posteriores, o Ministério da Saúde e da Agricultura, em conjunto com os órgãos fiscalizadores como Anvisa e Ibama, devem inibir o uso de agrotóxicos e estimular a utilização dos defensivos biológicos, ou seja, inimigos congênitos da peste, por meio de investimentos em pesquisas desses métodos naturais e da concessão de subsídios às empresas e produtores agrícolas que adotarem essas medidas para o controle de pragas. Assim, por se tratar de um método natural e sadio garante-se, na prática, a redução do uso de pesticidas químicos, a preservação da natureza e a melhoria da qualidade de vida.