O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 25/02/2020

O controle de pragas agrícolas, apresentado em um mundo que vivia nos bastidores da Revolução Verde, representou uma considerável conquista no que concerne à maximização da produção de alimentos em uma escala global. Entretanto, a ampla utilização desses produtos pela indústria tem sido acreditada como responsável pelo comprometimento da saúde humana e, com efeito, é comprovadamente uma ameaça à sobrevivência de comunidades de polinizadores.

Em primeiro plano, de acordo com uma pesquisa desenvolvida pela Unearthed, plataforma financiada pela ONG ambiental Greenpeace, um terço da receita de grandes empresas de agrotóxicos se baseia na venda de produtos considerados ‘‘altamente perigosos’’. Apesar de inovadora, a tecnologia desses elementos estará sempre suscetível à resistência de pragas, de modo que a toxicidade das novas fórmulas haverão sempre de superar as anteriores. Há poucos meses, a justiça americana avaliou como fundamentada a acusação de um homem que alegava que um dos agrotóxicos produzidos pela empresa Bayer - esse que, inclusive, é autorizado do Brasil - foi fator determinante para o desenvolvimento de seu câncer linfático. A evidência de que esse não é um caso isolado são os mais de duzentos mil processos semelhantes ainda em trâmite só nos Estados Unidos.

Ademais, outro fator de grande preocupação acerca do uso de agrotóxicos é exatamente a ameaça que eles representam aos polinizadores universais, as abelhas. É essencial ressaltar que, sem esses insetos, toda a cadeia de polinização estaria comprometida e a humanidade presenciaria a sucessão de uma tragédia ecológica, realidade brilhantemente retratada pelo filme infantil Bee Movie. Nesse sentido, a própria União Europeia proíbe a utilização de Neocotinoides, os grandes responsáveis pela dizimação de abelhas e presentes na composição de produtos que ainda encontram um grande mercado no Brasil e no resto do mundo.

Desse modo, apesar de realmente terem representado um grande revolução na indústria alimentícia, hoje, os agrotóxicos passaram a ser conhecidos pelos reais impactos que representam. Portanto, é de responsabilidade do Governo Federal, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, impor proibições à utilização de produtos que apresentem caráter contraditório ou duvidoso, essencialmente aqueles que representam ameaça direta à sobrevivência de abelhas e apresentam históricos judiciais em outros países, por meio da inserção de seus nomes em listas oficiais que os associem à ilegalidade, e, além disso, sejam também providenciados  incentivos fiscais à compra de orgânicos, de modo que seja minimizada a presença de produtos que contenham agrotóxicos e os que ainda estejam avaliáveis sejam não mais que uma ameaça inerte.