O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 19/04/2020

Durante o século XX, em meados da década de 1950, ocorreu um processo de modernização da produção agrícola, chamado de Revolução Verde, que fez uso de diversas tecnologias para a incorporação de técnicas que são eficientes no aumento da produtividade das lavouras. Entre elas, vale ressaltar o grande investimento em agrotóxicos - substâncias químicas capazes de conter, ou amenizar, pragas e doenças nas plantações. No entanto, apesar dos benefícios oferecidos por esses pesticidas, o uso imprudente e indiscriminado deles pode causar diversos danos sanitários, para produtores e consumidores, e ambientais.

Nesse aspecto, os defensivos agrícolas, além de contribuírem com o aumento da produção, aspecto muito importante, visto que a quantidade de alimentos disponíveis já foi considerada inferior a quantidade de indivíduos que necessitam deles, o uso contribui com o barateamento dos produtos, fazendo com que uma parcela maior da população tenha acesso a eles. Além disso, o aumento da exportação das colheitas, de soja, por exemplo, é importante para o agronegócio brasileiro, havendo, também, benefícios econômicos para o país.

Entretanto, inúmeros produtores utilizam pesticidas desrespeitando o que é previsto pela Lei de Agrotóxicos n° 7802, fazendo uso de compostos químicos proibidos, de forma excessiva e sem proteção adequada. Assim, segundo a médica e professora da Universidade de São Paulo, Cecília Prado, problemas respiratórios, cardiovasculares e diversas formas de câncer podem acometer os agricultores. Quantos aos consumidores, eles podem sofrer com sérias intoxicações alimentares e até mesmo problemas psicológicos. Além disso, o uso inapropriado de agrotóxicos pode causar poluição do solo e dos recursos hídricos, além de intoxicação de diversos animais.

Fica evidente, portanto, a necessidade da Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) investir em uma fiscalização mais rígida e periódica dos alimentos que chegarão aos consumidores, para que os danos sanitários e ambientais sejam, pelo menos, minimizados. Ademais, esse mesmo órgão, em conjunto com o Ministério da Saúde, deve promover campanhas de orientação voltadas para os produtores - por meio de mídias diversas, em âmbito nacional, que evidenciem a necessidade de se respeitar a lei, fazer uso de proteção adequada e as consequências do uso imprudente para sua própria saúde, saúde dos consumidores e do meio ambiente – e consumidores, abordando a necessidade de se escolher bem os alimentos que serão consumidos e a forma correta de higienizá-los.