O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 19/05/2020
A emblemática obra “Primavera silenciosa”, do autor americano Rachel Carson, representou a base da origem dos grandes movimentos ambientalistas, existentes, ao documentar, os efeitos deletérios à biodiversidade e saúde pública causados pelo uso de pesticidas, especialmente o DDT. Analogamente, no ano de 2019, segundo o portal de notícias G1, o Brasil aprovou o uso de 474 novos agrotóxicos. Dessa forma, diante dos prejuízos de notável conhecimento, reacenderam-se os debates em torno da necessidade de uma ação conjunta entre os Ministérios do Meio Ambiente, da Agricultura e da Saúde, para minimizar os desdobramentos negativos dessa prática produtiva.
Em primeira análise, a Revolução Verde de 1970 determinou o desenvolvimento da adoção de novas tecnologias na agricultura, principalmente, quanto ao uso de substâncias químicas para otimizar a produção de alimentos. Em decorrência desse fato, e tendo em vista a dinâmica exportadora primária do país, o Brasil passou a adotar o consumo de herbicidas e larvicidas como uma tentativa de corrigir as necessidades do solo e eliminar as pragas. Logo, segundo um artigo publicado pelo site Scielo, o uso correto e seguro desses defensivos poderá reduzir para 10% a perda de grãos, potencializando as colheitas de subsistências e ganhos para economia, além de auxiliar em projetos de distribuição e redução do quadro de subnutrição populacional.
Em segunda análise, salienta-se que o uso indiscriminado de agrotóxicos tem gerado grandes prejuízos ao meio ambiente uma vez que, de acordo com uma reportagem publicado pela Folha de São Paulo, o sulfoxaflor tem impacto negativo nas populações de abelhas, prejudicando diretamente a polinização e ecossistemas. Ademais, a Associação Brasileira de Saúde, revelou, em uma pesquisa, que 70% dos alimentos consumidos por brasileiros são contaminados, elevando ocorrências de doenças como câncer e má formação congênita. Assim, ratifica-se que mesmo diante de objetivos econômicos, novas práticas devem ser estudadas e aplicadas, visando o bem-estar social.
Portanto, é mister que o Estado tome providências para melhorar o quadro atual. Com vistas a garantir o direito à saúde, bem como o desenvolvimento econômico da produção, os Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura devem aplicar novas táticas de aproveitamento produtivo, por meio do treinamento de produtores com base no manejo integrado de pragas, especialmente na busca de sementes resistentes, uso adequado do solo e controle biológico. Além disso, o Ministério da Saúde deve fazer campanhas de alerta, em veículos midiáticos, informando sobre os riscos do consumo excessivo desses defensivos, disponibilizando dados de profissionais responsáveis e técnicas de higiene para reduzir a presença de tais substãncias nos alimentos.