O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 15/05/2020
Em “Branca de Neve e os sete anões”, a princesa é envenenada por sua madrasta, a Rainha Má, que enfeitiça uma maçã com o objetivo de matá-la. Apesar de não existirem bruxas na vida real, muitos alimentos vêm de fato sendo intoxicados por meio do aumento no uso de agrotóxicos, substâncias nocivas que têm a função de aumentar a produção agrícola e colocam em risco não somente a saúde dos consumidores, mas também a dos trabalhadores rurais.
Segundo o Dossiê Abrasco, o número de pesticidas utilizados no Brasil quase dobrou entre 2002 e 2014, um reflexo do sistema capitalista, o qual visa sempre o lucro. Logo, os agricultores normalizam os agrotóxicos com a justificativa de produzir mais e ignoram as consequências desse processo na saúde da população. Além disso, o número de substâncias liberadas pelo governo em 2019 foi o maior dos últimos 14 anos, com o Ministério da Agricultura utilizando o aumento da competitividade comercial para justificar essa desburocratização.
Por conseguinte, casos de intoxicações se tornam comuns, com 22 novas vítimas por dia, de acordo com a Fiocruz. Além dos consumidores, que se contaminam por meio da ingestão, muitos trabalhadores do meio rural se infectam por terem contato direto com essas substâncias, o que evidencia uma fiscalização ineficiente no emprego dessas técnicas e uma mão de obra despreparada para lidar com esses produtos de forma segura.
Sendo assim, fica visível a necessidade de ações governamentais para reverter essa situação. Para isso, cabe ao Ministério da Saúde o da Agricultura, por meio do Supremo Tribunal Federal, a tornar mais rigorosa a liberação de pesticidas e proibir as substâncias mais nocivas em circulação. Por fim, o Poder Legislativo deve criar um órgão que fiscalize as relações trabalhistas no meio rural e garanta capacitação dos operários para lidar com os agrotóxicos de modo seguro.