O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 17/05/2020
A Revolução Verde pode ser caracterizada pelo conjunto de inovações tecnológicas na agricultura para a obtenção de maior produtividade através do desenvolvimento de pesquisas em sementes, fertilização do solo, utilização de agrotóxicos e mecanização no campo. A expressão faz referência à transformação que possibilitou a redução de custos na produção de alimentos refletida na venda desses produtos. No entanto, o uso indiscriminado dos fitossanitários é prejudicial à saúde pública e ao meio ambiente.
Em primeiro lugar, constata-se que a utilização de defensivos agrícolas permitiu avanços na cultura de alimentos. O combate de pragas, insetos, bactérias, fungos e outras plantas é a principal função desses produtos reconhecidos por impedir danos nas plantações e aumentar a durabilidade das mercadorias. Dessa forma, a produção agrícola aumenta significativamente proporcionando a diminuição de seu preço comercial. Segundo uma pesquisa realizada pelo Conselho Brasileiro de Produção Orgânica e Sustentável, a diferença entre o preço de um alimento orgânico e um comum pode chegar aos 257%. Logo, o uso dos agrotóxicos permitiu certa democratização da alimentação. Nesse sentido, essa medida deve ser expandida para outras áreas da sociedade de forma adequada.
Em segundo lugar, é possível constatar que apesar dos progressos promovidos pela Revolução Verde, diversos são os impactos socioambientais causados pela aplicação inadequada, excessiva ou ilegal dos pesticidas. A falta de capacitação no emprego dos agroquímicos expõe trabalhadores rurais à contaminação. Assim como, a presença exacerbada de produtos químicos na alimentação dos consumidores pode prejudicá-los. Conforme dados do Ministério da Saúde, de 2007 a 2017, foram notificados cerca de 40 mil casos de intoxicação aguda por agrotóxico. Além disso, o meio sofre as consequências da falta de responsabilidade ambiental com a contaminação do solo e dos cursos d’água. Nessa perspectiva, esse quadro precisa ser revertido.
Portanto, urge que o uso consciente dos defensivos agrícolas seja garantido na prática efetiva. Cabe ao Ministério da Agricultura essa função, por intermédio da realização de campanhas destinadas à orientação de produtores rurais sobre o emprego de equipamentos de segurança e os riscos à saúde a que estão expostos pelo contato com os fitossanitários; com o auxílio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária para a execução de fiscalizações mais rígidas nas propriedades rurais e o endurecimento das regras para a utilização de pesticidas. Essas medidas, caso feitas em conjunto, podem amenizar os impactos causados pelo uso irresponsável de agrotóxicos no Brasil.