O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 28/05/2020

Desde que o homem deixou de ser nômade, no período neolítico, a agricultura aparece intrínseca à sobrevivência da sociedade. A partir de então, o manejo do solo e dos alimentos nunca deixou de ser aprimorado, tendo encontrado seu maior êxito na década de 1950 com o evento da Revolução Verde, que introduziu os agrotóxicos e insuflou o agronegócio na economia brasileira. Entretanto, a permissividade do uso desses defensivos agrícolas colocou nosso país como seu maior consumidor do mundo, o que, comprovadamente, traz riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Com efeito, faz-se necessária a implantação de medidas que dialoguem tanto com a economia, como com a sustentabilidade.

Em primeira análise, a agricultura de exportação se faz presente como uma herança colonial, tendo permanecido, até hodiernamente, como grande partícipe do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Nesse ínterim, o surgimento de empresas de insumos agrícolas, a partir da Revolução Verde, contribuiu para que o Brasil obtivesse posição de destaque internacional como agroexportador. Todavia, essa ascensão da agricultura brasileira contribuiu para que essas empresas, a exemplo da Monsanto, Bayer e Syngenta, obtivesse grande influência nas tomadas de decisões desse setor, visando a um maior lucro com a grande utilização de seus químicos, em detrimento da saúde alimentar.

Nessa intempérie, a expressão “Revolução Verde” soa como uma ironia na medida em que o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) visa a facilitar a legalização de produtos já proibidos na União Européia e Estados Unidos, indo contra a “Revolução”, que denota uma melhoria no sistema, e o “Verde”, subentendido como algo natural. Não por um acaso, a Organização da Nações Unidas (ONU) emitiu um comunicado ao governo brasileiro, em junho de 2018, alertando acerca dos malefícios na saúde pública e ao meio ambiente, caso haja facilidade de legalização dos pesticidas.

Portanto, diante da necessidade de promover a segurança alimentar, sem afetar a economia brasileira, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) deve destinar verbas ao MAPA e ao  Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) que, em conjunto, deverão selecionar, por meio de concursos públicos, cientistas e pesquisadores a fim de desenvolverem a agroecologia, a exemplo da utilização de micro-organismos naturais na agricultura, os biopesticidas, o que, por consequência, diminuirá a quantidade de agrotóxicos e de seus malefícios na sociedade. Dessa forma, além de promover a tecnologia e o desenvolvimento de empregos, o Dossiê Abrasco, órgão que estuda a agroecologia, prevê que essa nova vertente promoverá o dobro da produtividade do agronegócio, sendo economicamente lucrativo, mais sustentável e socialmente justo. Assim, ter-se-á qualidade nos alimentos com poucos agrotóxicos.