O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 29/05/2020

A Revolução Verde, ocorrida no início da década de 50, possibilitou a modernização da agricultura com o surgimento de maquinarias, sementes modificadas e a ascensão de diversos agrotóxicos, que viabilizaram o aumento significativo da produção agrícola no Brasil. Entretanto, apesar do evento carregar grandes aspectos positivos, é importante destacar que a utilização de agrotóxicos no país pode acarretar em inúmeras consequências sociais e ambientais. Nesse sentido, cabe avaliar que a negligência estatal e o comportamento apático da sociedade dificultam a diminuição do uso e, principalmente, os efeitos desses defensivos agrícolas.

Em primeira instância, é válido ressaltar que o Estado possui um papel fundamental na preservação dos direitos de toda a sociedade. Contudo, de acordo com o escritor brasileiro Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, ainda que a legislação assegure os direitos da população, na prática, muitas vezes, isso não ocorre, proporcionando ao corpo social uma falsa sensação de cidadania. Seguindo essa linha de raciocínio, é notório que o artigo 196 da Constituição Federal de 1988 garante o direito a saúde de qualidade aos cidadãos brasileiros, porém, observa-se que a falta de fiscalizações do governo, segundo o uso abusivo de agrotóxicos, coloca em questão a prática da lei 196 e vai ao encontro do pensamento de Dimenstein. Consequentemente, com a escassez de controle estatal, o número de intoxicações por agrotóxicos aumenta a cada ano, fato comprovado pela Fiocruz, a qual analisa que em 2017 foram registrados mais de 4000 casos de envenenamento no Brasil.

Em segundo plano, evidencia-se que o pensamento apático da sociedade brasileira é outro aspecto que impede o decrescimento do uso de defensivos agrícolas no país. Segundo o sociólogo coreano Byung Chul Han, em seu conceito de “Sociedade do Desempenho”, os indivíduos do século XXI buscam incessantemente a alta produtividade, abandonando consideravelmente as consequências de quaisquer atos. Analogamente, observa-se que certa parcela da população coloca a produção agrícola frente à saúde humana e ao meio ambiente, ocasionando danos significativos como lesões, tumores e paralisias nos indivíduos, além da contaminação do lençol freático e dos leitos dos rios na natureza. Assim, os aspectos desfavoráveis da Revolução Verde acabam por sobressair os aspectos positivos.

Portanto, medidas são necessárias para transformar a realidade contemporânea do país. Desse modo, é fulcral que o Ministério da Agricultura, por meio da contratação de novos fiscais, supervisione a utilização de agrotóxicos, com a criação de multas e punições para o uso abusivo desses defensivos. Isso deve ocorrer, com vistas a diminuir a aplicação nociva dos agrotóxicos e, por conseguinte, promover uma sociedade com saúde de qualidade, igual a prevista pela Constituição Brasileira.