O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 01/06/2020
Desde que o homem deixou o nomandismo no período neolítico, a agricultura aparece intrínseca à sobrevivência da sociedade. A partir de então, o manejo do solo e dos alimentos nunca deixou de ser aprimorado, tendo encontrado seu maior êxito na década de 1950 com o evento da Revolução Verde, que introduziu os agrotóxicos e insuflou o agronegócio na economia brasileira. Entretanto, a permissividade do uso desses defensivos agrícolas colocou nosso país como seu maior consumidor do mundo, o que, comprovadamente, traz riscos à saúde humana e ao meio ambiente.
Nos seres humanos, esses produtos representam a terceira maior causa de intoxicação no Brasil. Os trabalhadores rurais são as maiores vítimas. Segundo o Programa de Vigilância da Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos, da Universidade de Campinas (Unicamp), 1,5 milhão de trabalhadores rurais estão intoxicados no campo. Conforme o estudo, faltam fiscalização e capacitação no emprego desses produtos no campo. Para o consumidor, o perigo está no prato. Grãos, frutas, verduras e legumes chegam à mesa com resíduos acima do permitido ou com substâncias químicas proibidas pelo Ministério da Agricultura. Os hortifrutigranjeiros são os produtos que mais oferecem perigo. Um estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou que morango, alface, batata, maçã e banana têm resíduos de pesticidas acima do permitido.
Cabe ainda ressaltar, a degradação do solo, que é uma das principais dificuldades enfrentadas pelo meio ambiente, a qual caracteriza a perda de produção e ao exorbitante uso de agroquímicos, tendo como consequência a seca. Prova disso, são os dados do Centro de Desenvolvimento do Agronegócio (Cedagro), exposto no jornal o Globo, os quais indicam que o estado tem 393 mil hectares de solo degradado, o que equivale a 16,65% da área agrícola total, ou seja, a cada seis hectares cultivados um deles está infértil.
Portanto, diante da indubitável necessidade de promover a segurança alimentar, sem afetar a economia brasileira, a Secretaria do Tesouro Nacional deve destinar verbas aos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Social que, em conjunto, deverão selecionar, através de concursos públicos, cientistas e pesquisadores à fim de desenvolverem a agroecologia, a exemplo da utilização de microorganismos naturais na agricultura, os biopesticidas, o que, por consequência, diminuirá a quantidade de agrotóxicos e de seus malefícios na sociedade. Dessa forma, além de promover a tecnologia e o desenvolvimento de empregos,o Dossiê Abrasco, órgão que estuda a agroecologia, prevê que essa nova vertente promoverá o dobro da produtividade do agronegócio, sendo economicamente lucrativo, mais sustentável e socialmente justo.