O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 02/07/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao alto uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo, que ocasiona impactos ambientais e riscos à saúde humana. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, seja pela priorização de interesses financeiros, seja pela falta de debate.
Primordialmente, é importante destacar que a valorização do capital é um fator decisivo para a persistência do tema. Sob esse viés, Theodor Adorno, filósofo da Escola de Frankfurt, cunhou o contexto de Indústria Cultural para criticar a desvalorização da arte no contexto do capitalismo cultural. Diante dessa perspectiva, questões como o uso indiscriminado de agrotóxicos florescem devido à supremacia de interesses financeiros, tendo em vista que o Brasil tem grande parte de seu Produto Interno Bruto oriundo da agricultura, sendo o segundo maior exportador de soja do mundo, contudo, é o país que mais consome agrotóxicos em números absolutos segundo a FAO (divisão de estudos alimentares da ONU), o que acaba por agravar a problemática.
Ademais, o silenciamento se apresenta como um complexo dificultador para a resolução da questão. Conforme o filósofo Foucault, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, observa-se uma lacuna no que se refere à discussão em torno do uso de agrotóxicos nas lavouras brasileiras, que tem sido silenciado pelas autoridades, governamentais e midiáticas, ao não trazerem a tona essa temática e tornar amplo o conhecimento para a população, com o objetivo de preservar a preeminência do Estado e seu domínio no comércio com o exterior. Assim, sem diálogo sua solução é impedida.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Para esse fim, é preciso que o Ministério da Agricultura em parceria com ONG’s especializadas, desenvolvam cartilhas sobre a utilização de agrotóxicos nas plantações levando em consideração os prós e contras de seu uso, e por meio de uma campanha, disponibiliza-las nas redes sociais para estimular a participação da população com o objetivo de promover a integração de Estado e povo, além de buscar medidas de conciliar a produção e manutenção da economia brasileira com práticas sustentáveis que permitam a redução de agrotóxicos. Dessa forma, é viável a saída da caverna de comodidade em prol da construção de um mundo melhor.