O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 02/07/2020
Durante a Guerra do Vietnã, o exército americano lançou um herbicida, conhecido como “Agente Laranja”, sobre as florestas vietnamitas a fim de localizar os Vietcongs, guerrilheiros socialistas. À posteriori, componentes do mesmo herbicida tiveram uso na agricultura como agrotóxicos, apresentando, de maneira análoga, a periculosidade dessas substâncias que, ainda assim, são ingeridas desmedidamente. Logo, é possível evidenciar os desafios acerca do uso desses pesticidas, principalmente em relação à linha tênue entre a ética no campo e os consequentes impactos, na saúde e no meio ambiente, do uso exacerbado de fertilizantes químicos.
À vista disso, destaca-se o movimento da Revolução Verde, iniciado em 1950, que preconizava a modernização do campo, por meio da biotecnologia, com o fito de promover o aumento da produção agrícola mundial. Todavia, mesmo com a obtenção desse acréscimo, a nova tecnologia não apresentava um viés sustentável, medindo-se apenas pelo lucro e desencadeando, por sua vez, uma utilização massiva de agrotóxicos, permitida por uma regulamentação legal ineficaz. Dessa maneira, observa-se a dependência financeira do uso dessas substâncias químicas não obstante seu caráter prejudicial, cientificamente comprovado, suscitando, então, uma discussão ética.
Por conseguinte, ressalta-se o livro “Primavera Silenciosa”, de Carson, que versa sobre os efeitos do uso de pesticidas e suas implicações na saúde e ambiente, ao salientar o aumento da mortalidade dos pássaros. Dessa forma os escritos convergem com o pensamento do ecologista Hardin de que a ganância individual condena os recursos coletivos à falência, uma vez que uso indiscriminado de agrotóxicos proporciona problemas ambientais como a contaminação da água de rios e lagos. Assim, entende-se que o efeito da utilização acentuada desses fertilizantes químicos estende-se à biosfera, comprometendo recursos e propiciando o desenvolvimento de doenças como câncer.
Nesse ínterim, urge, pois, intervenções pontuais fitando combater o quadro de permissibilidade da legislação quanto uso e impactos dos agrotóxicos na saúde e meio ambiente. Consequentemente, é inerente aos órgãos legislativos, como a Câmara dos Deputados e o Senado Federal, a elaboração e aprovação de políticas rígidas em relação à utilização dessas substâncias, por meio de emendas constitucionais, a fim de que se restrinjam os danos à saúde e natureza. Destarte, através dessas ações, ter-se-á o uso dos defensivos agrícolas de forma sustentável; priorizando vidas em detrimento da ambição capitalista.