O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 24/07/2020
A agricultura é a principal fonte de alimentos para o ser humano desde sua sedentarização. No entanto, com o advento da contemporaneidade, vieram as técnicas para otimizar e garantir que alimentos cheguem nas mesas dos consumidores, mais especificamente o uso de agrotóxicos. Inicialmente utilizados para controle de pragas nas lavouras, a aplicação desses químicos na indústria de larga escala, que busca atender uma parte esmagadora da população, acaba por ter efeitos nocivos em suas vidas como um todo. Visto isso, torna-se evidente que a discussão para que haja a diminuição do uso de agrotóxicos é de suma importância em um contexto tanto brasileiro, quanto mundial.
Segundo prevê o artigo XXV da Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), todos têm direito a um padrão de vida saudável e de bem-estar, no que se inclui a alimentação. Os dados do Brasil em relação ao uso de agrotóxicos desrespeitam veementemente o artigo, considerando que, de 2007 a 2015, segundo o Ministério da Saúde, mais de 84 mil casos de intoxicação por agrotóxicos no país. Em 2018, devido á tentativas de flexibilização no uso de alguns agrotóxicos no país, a ONU emitiu um comunicado de alerta que tais mudanças poderiam ferir direitos de trabalhadores rurais e da população, pondo-os em risco.
Além dos efeitos negativos para os próprios seres humanos, o uso dos pesticidas também causam danos ao próprio meio ambiente. Em sua aplicação, o veneno acaba por infiltrar-se na terra, poluindo-a e também poluindo os lençóis freáticos, afetando outras formas de vida. Pode-se perceber que a grande indústria acaba por se preocupar mais com a produtividade e do que com a qualidade dos seus produtos e da vida dos seus consumidores, baseado em ideais individualistas que dialogam com o conceito das “Relações Líquidas”, proposto por Zygmunt Bauman.
Contudo, mostra-se crucial que medidas devam ser tomadas sobre o uso de herbicidas no Brasil e no mundo. O Poder Executivo, por meio do Ministério da Saúde, precisa discutir meios internacionalmente para que a qualidade de vida das populações não seja prejudicada, com a elaboração de normas de regulamentação mais rígidas para o uso de agrotóxicos na produção da agricultura mundial, assim como tornar crime o uso exacerbado de pesticidas. Somado a isto, é necessária a maior preparação dos trabalhadores do campo com o uso de agrotóxicos à fim de evitar maiores impactos ambientais ou até mesmo à própria saúde do trabalhador. Com isso, podemos alcançar uma sociedade mais auto-consciente e mais saudável para o futuro.