O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 16/08/2020
No período neolítico, a revolução agrícola foi a responsável pela transição de uma vida nômade para uma vida sedentária. Ao longo do tempo, houveram outras transformações na forma de produzir como na Revolução Verde que, nos anos 70, levou tecnologia ao campo, a fim de maximizar a produção e o lucro. No entanto, tais transformações também causam impactos negativos na vida da população, como é o caso do uso de agrotóxicos em excesso que se tornou um inimigo invisível para a saúde, seja porque o trabalhador e o consumidor desconhecem ou ignoram os riscos, ou ainda pela flexibilização na liberação e fiscalização do uso desses pesticidas.
Em primeiro lugar, o trabalhador do campo ignora o uso de equipamentos de proteção e o consumidor desconhece o risco que sofre ao levar alguns alimentos para casa. A falta de consciência da dimensão do problema faz com que o uso dos EPI’s sejam negligenciados pelo trabalhador do campo, por outro lado, o consumidor que vai ao mercado sente-se atraído por verduras e frutas aparentemente apetitosas, e desconhece a possibilidade de que podem conter resquícios de substâncias tóxicas acima do permitido. Segundo a ONU, os agrotóxicos causam 200 mil mortes por intoxicação a cada ano e o uso abusivo torna os dois grupos possíveis vítimas, a curto e a longo prazo de, por exemplo, intoxicação, má formação fetal e câncer.
Além disso, a liberação do uso de mais defensivos agrícolas a flexibilização da fiscalização aumentam o leque de possibilidades para mais consequências graves na saúde. Segundo o Ministério da Agricultura, só em 2019 foram liberados mais de 450 novos pesticidas, enquanto isso, de acordo com a ONG Greenpeace, 30% dos agrotóxicos liberados no Brasil já foram vetados na Europa. Há ainda falha na fiscalização junto ao produtor e à industria por parte da ANVISA e do IBAMA, fazendo com que mais produtos cheguem ao consumidor com quantidades de substâncias acima do permitido.
Diante disso, é necessário, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de promover o equilíbrio entre produção/lucro e a saúde da população. Para isso, a mídia nacional deve apresentar relatórios e reportagens sobre a realidade da produção de alimentos no país para que a população fique ciente dos malefícios aos quais está sujeita. É preciso ainda que o Ministério da Agricultura forme um comitê em parceria com universidades, para análise e reavaliação de todos os defensivos até o momento liberadas, a fim de que sejam proibidos aqueles que apresentem maior potencial de riscos à saúde. É necessário também que a ANVISA e o IBAMA intensifiquem a fiscalização junto ao produtor para certificação da correta aplicação e da quantidade máxima permitida. Só então, a população desfrutará mais tranquilamente dos benefícios que a Revolução Verde trouxe à mesa.