O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 12/08/2020
Em um episódio de “Os Simpsons”, do autor Matt Groening, são retratadas aos telespectadores as consequências do uso massivo de herbicidas. Fora da ficção, o que foi descrito no seriado relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: o uso demasiado de agrotóxicos. Desse modo, urge a necessidade de analisar como a negligência estatal e a busca desenfreada por lucros fomentam a problemática.
Primeiramente, há de constatar o descumprimento de algumas leis. Entre tais aspectos, a Constituição Federal de 1988 garante acesso a um ambiente que visa o bem-estar de todos. Entretanto, constata-se, no Brasil, a carência de políticas públicas que objetivam a fiscalização do uso de agrotóxicos nas produções no campo, uma vez que as aplicações do mesmo, em excesso, pode acarretar em danos à saúde do indivíduo que está manuseando-o. Semelhantemente, conforme uma pesquisa levantada pela Universidade de Campinas (Unicamp), 1,5 milhão de trabalhadores rurais estão intoxicados no campo, fato este que geralmente advém do uso de agrotóxicos nas plantações. Nesse sentido, percebe-se que a falta de políticas públicas implica no recrudescimento de tal problemática.
Em segunda análise, a questão da obtenção de lucro rápido corrobora a persistência de tal problema. Outrossim, de acordo com o filósofo Heidegger, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, algumas pessoas podem, ao usufruir de um âmbito onde a concorrência por mercados está em alta, acabar por utilizar produtos que trazem malefícios à saúde no momento de produção. Sob esse viés, um estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelou que quase 2500 pessoas morreram por intoxicação alimentícia pela presença de agrotóxicos entre 1999 e 2012, e uma das causas de tal intoxicação está atrelada ao uso de substâncias em sua produção . Dessa forma, conclui-se que o meio social implica nas dificuldades relacionadas ao uso de agrotóxicos.
Destarte, medidas fazem-se relevantes para mitigar tal realidade. Portanto, o Ministério da Educação, juntamente às mídias e dentro das escolas, deve instituir projetos como o “Produzindo e fiscalizando para diminuir o risco de contaminação”, responsável por educar os estudantes e suas respectivas famílias. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e produtores rurais, a fim de expor, debater e combater as consequências do uso de tal substância. Assim, será possível evitar o hediondo cenário descrito por Groening.