O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 14/08/2020

O advento da Revolução Verde, iniciada na década de 1960, popularizou o uso de agrotóxicos e novas tecnologias, visando a modernização da agricultura e o aumento da produtividade no Brasil. Desse modo, o uso de defensivos agrícolas aumentou demasiadamente, visto que o país é um grande produtor e exportador mundial. Contudo, os efeitos negativos do produto tornaram-se preocupantes, diante da permissividade de leis e negligência.

Vale ressaltar, primeiramente, que os agrotóxicos são produtos químicos com a função de matar as pragas que prejudicam as lavouras. Entretanto, muitos compostos nocivos trazem danos à saúde humana, fauna e flora, quando não verificados. Segundo o atlas “Geografia do Uso de Agrotóxicos”, dos 500 tipos de defensivos permitidos no Brasil, 30% são proibidos na Europa, pelos riscos comprovados à saúde, além de permitir um limite 5 mil vezes superior ao máximo que é permitido de resíduos na água e nos alimentos. Ademais, destaca-se que o governo deixou de publicar os casos de intoxicação por esses compostos, evidenciando a permissividade da leis brasileira na questão pautada e a falta de responsabilidade do Estado.

Outrossim, evidencia-se a negligência dos produtores rurais, com o uso excessivo de agrotóxicos nas plantações. O sociólogo Zygmun Bauman, ao definir modernidade, enfatizou a liquidez dos valores de conduta do ser humano. Dessa forma, em tal contexto agrícola, os produtores optam pelo uso abusivo de produtos químicos nas plantações, visando unicamente o próprio lucro dentro de uma economia capitalista e monopólio do mercado, em vista da segurança e qualidade da oferta ao consumidor, colocando em risco às pessoas, a natureza e os animais.

Diante do exposto, torna-se evidente a necessidade de uma política pública capaz de minimizar os problemas dos agrotóxicos no Brasil. Para isso, cabe as autoridades de saúde, em todas as instâncias, reconhecer e acompanhar os usos inadequados, ampliando ações eficazes com a vigilância ambiental. Deve-se investir em laboratórios de monitoramento de índices de contaminação, bem como uma fiscalização ativa e transparente, por meio de projetos de leis rígidos e destino adequado de verba, de modo a proteger o habitat brasileiro.