O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 28/08/2020

A Revolução Verde, iniciada na década de 60 do século XX, propiciou o desenvolvimento de técnicas agrícolas, como o uso de agrotóxicos, as quais aumentaram a produtividade. Não obstante, o desenvolvimento da agropecuária está associado a problemas, dentre os quais se destacam o uso desenfreado de defensivos agrícolas e o elevado preço dos produtos orgânicos no Brasil. Concomitantemente, em elevadas concentrações, os pesticidas acarretam danos meio ambiente, como a contaminação do lençol freático, e à saúde humana, como as intoxicações. Diante disso, tornam-se fulcrais políticas que visem a solucionar a questão , a fim de preconizar o bem-estar e a harmonia social.

Em princípio, entender o tema é não desconsiderar a Lei de Agrotóxicos, de 1989, a qual flexibiliza as regras relacionadas à produção, à comercialização e à distribuição de agroquímicos. Hodiernamente, vê-se a disseminação desenfreada do uso de defensivos nas produções, principalmente em monoculturas. Isso ocorre devido à sua capacidade de proteção contra pragas e ao seu consequente potencial de aumento da produtividade, os quais favorecem sua aplicação em elevadas concentrações. Soma-se a isso a privação do acesso aos orgânicos por considerável parcela da sociedade, haja vista seus elevados preços, a qual inviabiliza a alternativa ao consumo de alimentos submetidos aos pesticidas. A partir de tal constatação, ganha relevância o pensamento sistêmico, do sociólogo Edgar Morin, segundo o qual ações sustentáveis devem ser priorizadas por meio do olhar transdisciplinar.

Outrossim, as consequências advindas da problemática são preocupantes. Nesse sentido, a utilização irracional dos agroquímicos acarreta a contaminação do solo e dos lençóis freáticos, os quais são fundamentais para a manutenção dos ecossistemas. Além disso, vê-se o comprometimento da fauna, da flora e da saúde humana, tendo em vista a incapacidade dos organismos vivos de degradação dos pesticidas, o que ocasiona sua bioacumulação ao longo da cadeia alimentar. Importante salientar, que nos seres humanos essas substâncias estão relacionadas ao desenvolvimento de cânceres e de malformações fetais, ao desencadeamento de transtornos psicológicos, como a depressão e a ansiedade, e à ocorrência de intoxicações, principalmente entre trabalhadores rurais.

Diante desse cenário, medidas são necessárias a fim de atenuar o problema. Para tanto, as ONGs devem criar abaixo-assinados, que visem a pressionar o Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente para a fiscalização das monoculturas. Isso pode ser feito por meio do colhimento de assinaturas virtuais, com o fito de reduzir a utilização desenfreada de agrotóxicos. Ademais, o Ministério da Agricultura deve disponibilizar verbas aos produtores orgânicos, a fim de baratear o preço desses alimentos e, assim, torná-los acessíveis à população. Com tais ações, será possível colocar em prática os ideais de Morin.