O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 29/09/2020
A Revolução Técnico-Científica é marco para a produção material hodierna, ela apresenta-se através de transformações substâncias que impactam, entre inúmeros aspectos sociais, a estrutura alimentar da coletividade. Nesse contexto, coloca-se em pauta os impactos contemporâneos dos agrotóxicos na alimentação do brasileiro, tendo em vista a potência produtiva agregada ao território pátrio. Isso posto, cabe a análise da conjuntura socioeconômica que possibilita a perpetuação da problemática e os interesses comerciais que a permeiam.
É relevante destacar, primeiramente, que, segundo o filósofo alemão Karl Marx, é característica do sistema capitalista ocidental o estímulo à produção e consumo desenfreado, mesmo que esse processo seja acompanhado por malefícios significativos à saúde dos indivíduos. Sob a ótica marxista, a imersão na conjuntura social vigente potencializa uma estrutura que negligencia o bem-estar humano e prioriza a produção e acúmulo do capital, tornando possível a normalização do uso de agroquímicos que mostram-se com um risco biológico. Com isso, a higidez da sociedade nacional é colocada em segundo plano, enquanto o país lidera o ranking mundial dos gastos com defensivos agrícolas, de acordo os órgãos da ONU.
Paralelo a isso, conforme a Anvisa, um terço dos alimentos que são consumidos pelos brasileiros estão contaminados. Tal fato é evidenciado no documentário “O veneno está na mesa” ao serem representados interesses político-econômicos determinantes para o estabelecimento dos hábitos alimentares no Brasil. Nessa perspectiva, a julgar pela sua participação ativa no Congresso Nacional e ocupação de postos de comando, observa-se o crescente poder exercido pelos grandes monocultores e ruralistas sobre a saúde e autonomia alimentar pátria — sufocando o comércio de orgânicos e a agricultura familiar.
Portanto, urge a ação de agentes governamentais para remediação da problemática. Assim, os Ministérios do Meio Ambiente e da Saúde devem promover, nas Universidades Brasileiras, o desenvolvimento de projetos e pesquisas quali-quantitativas — nas Áreas de Ciências Biológicas, Químicas e Políticas e nas Engenharias Agrícola e de Produção — elaborar propostas de políticas públicas a serem apresentadas como alternativas ao sistema de produção agrícola atual, visando a redução no uso de defensivos agrícolas. Essas ações devem ser apresentadas ao Congresso Nacional a fim de estruturar, partindo desses estudos, políticas públicas eficazes e orientadas à realidade dos estados e a demanda populacional, priorizando as diretrizes internacionais de saúde pública.