O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 02/10/2020

Sob a ótica do filósofo existencialista Jean-Paul Sartre, a violência é sempre uma derrota, seja qual for a maneira como ela se manifesta. Com efeito, percebe-se que a flexibilização do uso de agrotóxicos remete à premissa de Sartre, uma vez que representa uma violência à saúde e à natureza. Nesse contexto, faz-se urgente avaliar os impactos biológicos e a inércia governamental.

Nessa perspectiva, é lícito postular a Síndrome do Colapso das Colônias. Com efeito, a ciência comprova que o uso de agrotóxicos é letal para as abelhas, posto que afetam seu sistema nervoso. Consequentemente, a redução do número de abelhas implica em um menor processo de polinização, que consiste na reprodução das plantas. Assim sendo, um efeito dominó ocorre na cadeia alimentar, pois as fontes alimentícias de animais herbívoros e seres humanos tornam-se escassas, já que não possuem a ajuda das abelhas para se reproduzirem. Dessa maneira, verifica-se que o cenário de uso excessivo de pesticidas promove a extinção da fauna e flora.

Por conseguinte, deve-se avaliar o descaso brasileiro para com a Agenda 2030 das Nações Unidas, que consiste em um conjunto de metas comuns – dentre elas, a agricultura sustentável – a serem alcançadas pelos 193 países membros da ONU, incluindo o Brasil. Os líderes brasileiros, entretanto, rompem o acordo firmado com as demais nações, visto que negligenciam a criação de políticas públicas para estimular a agricultura familiar, bem como o plantio orgânico e, consequentemente, reduzir o uso de pesticidas. Constata-se, assim, um terreno fértil para a permanência do uso de agrotóxicos no Brasil.

É imprescindível, portanto, buscar soluções para esse impasse. Para tanto, compete ao Ministério da Ciência e Tecnologia realizar pesquisas científicas – executadas por profissionais especializados como biomédicos e biólogos – voltadas à produção de pesticidas não prejudiciais à biosfera. Essa ação deve ser feita por meio de verbas governamentais, com fito de preservar as relações biológicas entre as espécies. Outrossim, urge que ativistas políticos realizem mutirões em vias públicas e em redes sociais, por meio da mobilização popular pacífica. Essa ação objetiva confrontar o descaso das autoridades em relação à falta de comprometimento com as instituições internacionais. Assim sendo, a violência citada por Sartre contra o meio ambiente será erradicada do Brasil.