O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 03/11/2020
A clássica fábula de “João e o pé de feijão” narra as aventuras de um menino detentor de um “feijão mágico” capaz de solucionar todos os empecilhos de sua vida.Longe do viés literário, e adentrando-se à realidade de muitos usuários de agrotóxicos(no Brasil e no mundo),verifica-se a perpetuação, por parte do Estado e de empresários do ramo agrícola,dessa “magia” na agricultura brasileira,bem como a ineficiência do país em garantir a redução do uso desses insumos na agricultura.
Pontua-se,em uma análise inicial, o interesse do Estado e dos grandes produtores agrícolas na utilização exagerada dos agrotóxicos no país. Prova de tal exagero se da pelo fato,segundo a Embrapa(Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias),do Brasil consumir cerca de 20% dos agrotóxicos utilizados em todo o mundo.Em virtude disso,constata-se a validação do pensamento de Milton Santos( Geógrafo e historiador renomado) o qual diz: " Que a globalização mata a noção de humanidade daqueles que estão voltados apenas a seus interesses econômicos e não a servidão social". Nesse sentido,verifica-se,como consequência da ausência de fiscalização efetiva do uso de agrotóxicos pelo Estado, a exposição abundante do trabalhador do campo e dos próprios consumidores nativos( a longo prazo) a riscos ainda poucos conhecidos,mas maléficos à saúde humana.
Observa-se,em paralelo a isso, a inoperância governamental em assegurar a redução do uso de agrotóxicos como um dos principais fatores para a manutenção dessa desregularidade.Isso porque,segundo o IPEA(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a produção agrícola do Brasil está,massivamente,voltada a exportação da soja ,atividade que demanda alta produtividade em pouco tempo de colheita.Como efeito, constata-se a utilização excessiva de agrotóxicos e inaptidão do governo em garantir tecnologia e monitoramento eficientes para tais fins.Desse modo, atina-se para a contradição do famoso slogan moderno:" Agro é tec,agro é pop,agro é tudo" e falha da “Revolução Verde”,a qual tinha como propósito o aumento da mecanização agrícola e a ampliação dos insumos tecnológicos para melhoria no cultivo.
Urge,portanto,que redução no consumo nacional de agrotóxicos(por parte dos grandes empresários),bem como a ampliação no arsenal de mecanismos governamentais voltados à melhoria da agricultura, o Governo Federal, com o auxílio do Ministério da agricultura ,ampliar a fiscalização do setor produtivo agrícola( por meio da dificultação do acesso dos empresários a compra dos insumos,assim como a exigência -por parte do Estado- de vistorias realizada trimestralmente no centro produtivo).Tais ações tem o intuito de reduzir a monetização dada aos alimentos produzidos e ampliar a humanização dos trabalhadores do campo, a fim de que os “feijões mágicos” não causem mal ninguém.