O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 11/12/2020

A Revolução Verde, ocorrida na segunda metade do século XX, foi responsável por introduzir técnicas inovadoras de produção no campo, como a transgenia de alimentos e o uso de agrotóxicos. Em primeira instância essas mudanças foram positivas, uma vez que aumentaram a produtividade agrícola, entretanto com o uso desregulado de agrotóxicos, os impactos ambientais foram atenuando-se paralelamente aos riscos à saúde humana, pois, sendo necessário instituir políticas mais severas quanto à liberação de novos tóxicos, a fim de preservar os ambientes e processos que envolvem a cadeia produtiva da agricultura.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o uso de insumos tóxicos gera um grave desequilíbrio ecológico e coloca em risco o bem estar, não apenas do ser humano mas também de diversos outros seres vivos. Nesse sentido é perceptível que a contaminação ocorre por meio de duas maneiras: a primeira através do contato direto, sujeita a agricultores responsáveis por aplicar o veneno e a trabalhadores do campo, a segunda por meio do contato indireto, como o consumo de alimentos. Em ambos os casos a presença de resíduos tóxicos no organismo pode causar a falência respiratória, câncer e lesões renais, tal como apontado pela Organização Mundial da Saúde. Em adição, tais problemas no ambiente natural acarretam na morte da fauna e alteram de maneira drástica as relações ecológicas em equilíbrio.

Dessa forma, surge a problemática da possibilidade de ocorrer o aparecimento de pragas mais resistentes e imunes aos agrotóxicos. Pois de acordo com o princípio da “Seleção Natural” de Charles Darwin, os pesticidas podem ou eliminar predadores naturais de outros seres vivos que podem vir a se tornarem pragas, ou realizar a seleção de insetos mais resistentes gerando sua posterior reprodução em larga escala. Não obstante, esse cenário tende a ser minimizado nos países da Europa e nos Estados Unidos, em razão de que os mesmos proibiram o uso de diversos defensivos agrícolas. Em contrapartida, o Brasil apresenta preocupante flexibilização quanto à liberação de novos agroquímicos, incluindo alguns até mesmo proibidos em outros países, tal como apresentado pela pesquisadora da Universidade de São Paulo, Larissa Mies, especialista em agrotóxicos.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – órgão responsável pela gestão das políticas públicas de estímulo à agropecuária e pelo fomento do agronegócio – proíba o uso de insumos tóxicos classificados de alto risco e que não sejam extremamente essenciais à agricultura. Por intermédio da busca de referências internacionais, analisando os agrotóxicos já proibidos por outros países, a fim de evitar que os impactos na saúde humana e no meio ambiente sejam acentuados.