O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 17/11/2020

Diante de inúmeras situações vivenciadas pela sociedade hodierna, cabe ressaltar os transtornos referentes ao uso de defensivos agrícolas, uma vez que apesar da Carta Magna do país assegurar o direito à saúde dos cidadãos, na prática isso não ocorre efetivamente, sendo crescente o índice de intoxicação ocasionada pela exposição excessiva a essas substâncias. Para tanto, urgem ações da sociedade civil, em concomitância com o Poder Público, com o escopo de amortizar esse imbróglio.

Nessa perspectiva, é válido destacar que, segundo a Constituição Federal do Brasil- promulgada em 1988- é inalienável aos indivíduos o direito à saúde, entretanto, nota-se a ocorrência de omissão no que concerne ao aumento do uso de agrotóxicos nos alimentos, colocando em risco o bem-estar dos cidadãos, visto que haverá maior predisposição a intoxicações e doenças secundárias. Esse contexto permite estabelecer um paralelo com a obra do jornalista brasileiro Gilberto Dimenstain, pois disserta em sua obra “ O cidadão de papel” sobre diversas leis que existem apenas “no papel”, não sendo executadas em sua plenitude. Logo, é fundamental a adoção de alternativas que visem promover melhor qualidade de vida aos brasileiros e reverter esse percalço.

Ainda, sob esse mesmo viés, torna-se oportuno ressaltar que com o advento da Revolução Verde, foi disseminado tanto o uso de sementes modificadas geneticamente, quanto de agrotóxicos, objetivando a obtenção de maior produtividade. Essa conjuntura ocasiona, segundo dados de 2018 da Fiocruz, cerca de 8000 intoxicações graves por ano, assim como em casos mais extremos levando à óbito a vítima, sendo, principalmente, os agricultores mais prejudicados devido à exposição frequente aos defensivos agrícolas. Dessa maneira, é importante alertar aos indivíduos acerca dos riscos relacionados ao uso de pesticidas como forma de amenizar essa problemática.

Portanto, é perceptível a necessidade de atos em prol do bem-estar dos brasileiros. Para isso, faz-se fundamental que o Poder Público, por meio do Ministério da Saúde em parceria com a Pasta da Educação, promova periodicamente nas instituições educacionais palestras e mesas-redondas, sendo mediadas por profissionais qualificados, como professores de Biologia, tendo como público-alvo os estudantes e seus respectivos núcleos familiares. Tal medida tem o fito não só de esclarecer sobre os direitos e deveres dos cidadãos, mas também de estimular que ocorra o consumo prioritário de alimentos orgânicos em detrimento dos que utilizam agrotóxicos. Apenas assim, poder-se-á consolidar uma realidade em que o infortúnio dos defensivos agrícolas não exista e, por conseguinte, o direito à saúde saia “do papel” e seja ofertado a todos, negando a tese do ilustre Dimesntain.