O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 11/12/2020

A Revolução Verde, nos anos 1960, representou um avanço substancial à agricultura devido ao aprimoramento das técnicas de produtividade. No entanto, a popularização dos artefatos desenvolvidos, sobretudo os fitossanitários, hodiernamente representa um problema fatal à saúde da população, principalmente pelo seu uso exacerbado. Nesse contexto, destacam-se como catalisadores desse grave cenário não só a banalização de diferentes modos produtivos, mas também a negligência estatal.

Inicialmente, é importante frisar que a aplicação de agrotóxicos de modo avultado está relacionada à trivialização do incentivo a novos modelos de produção. Sob essa ótica, o acesso facilitado a defensivos agrícolas isentos de receituário agronômico, por exemplo, propicia a compra e o consumo desses compostos químicos. Como consequência, o emprego de métodos naturais, como o controle biológico, é visivelmente secundarizado no Brasil. À luz desse panorama, pode-se citar o fato de que, segundo dados do Ministério da Agricultura, dos 64 milhões de hectares cultivados no país, somente um milhão corresponde à agricultura orgânica. Logo, tal fato demonstra que a habituação ao consumo de agrotóxicos, além de tornar a produtividade brasileira dependente desses artefatos, representa um saldo negativo aos seres humanos, que ficam diretamente expostos a grande quantidade dessa química fatal nos alimentos ingeridos.

Em segunda análise, a utilização de pesticidas é beneficiada pela displicência do Estado. Nesse viés, mesmo que a Constituição garanta o acesso à saúde mediante a instauração de políticas que visem à redução do risco de doença, é notável que a tolerância governamental contradiz essa proposição. Para ilustrar esse fato, evidencia-se que, só no ano de 2019, de acordo com o jornal O Globo, 474 novos compostos cumulativos foram liberados para comercialização. Dessa forma, é gritante que a flexibilidade estatal, permeada pela massiva legalização de insumos , ao aumentar o acervo de químicos pesados, potencializa seu consumo. Assim, ilustra-se que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor dos direitos básicos, haja vista que os benefícios previstos por lei permanecem somente no papel enquanto a calamidade ambiental é acrescida.

Portanto, é necessário alçar medidas para a diminuição do consumo de agrotóxicos. Para isso, o Ministério do Meio Ambiente deve, por meio do custeio de produção com recursos governamentais, subsidiar a produção de alimentos agroecológicos, a fim de diminuir seu custo. Ademais, o aporte financeiro por parte dessa instituição incentivará, ainda, um contingente maior de produtores orgânicos. Com isso, em um futuro próximo, será possível consolidar a diminuição do uso de produtos nocivos à saúde do planeta de quem o habita com o fito de melhorar a qualidade de vida populacional.