O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 06/01/2021
A segunda metade do século XX foi marcada pela Revolução Verde, processo esse que introduziu a tecnologia no campo. Desse modo, para aumentar a produtividade houve grandes investimentos, principalmente, na área da biotecnologia e bioquímica. Contudo, algumas dessas inovações são responsáveis por diversos malefícios como é o caso do agrotóxico. Sob essa ótica, compreender o atual cenário do uso desse produto químico é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que danos à saúde e ao meio ambiente, além do descaso estatal, são notados.
É preciso considerar, antes de tudo, que a aplicação de defensivos agrícolas nas lavouras está intimamente relacionada à lógica capitalista. Nesse sentido, os agricultores buscam maximizar seus lucros, ainda que, para isso, o solo, os recursos hídricos, a biodiversidade e o bem-estar da população, a qual consome os produtos ou trabalha com essas substâncias sejam afetados. Prova disso é que, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 65% dos alimentos fiscalizados possuem agentes tóxicos e alguns deles não são autorizados. Tal circunstância vai contra uma das Metas do Milênio proposta pela Organização das Nações Unidas (ONU), a qual visa garantir qualidade de vida e respeito à natureza, de forma a demonstrar a urgência de ações efetivas para sanarem essa contenda.
É válido ressaltar, ainda, que para uma boa fiscalização dos pesticidas utilizados na agricultura, o Brasil conta com três órgãos, o Ministério da Agricultura, a Anvisa e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). Todavia, é notável a negligência do governo, dado que a atual gestão brasileira vem compactuando com os nocivos interesses da bancada ruralista. Tal pretexto é ratificado pelo “PL do Veneno”, projeto de lei que flexibiliza o controle de agroquímicos, de maneira a permitir a vistoria apenas pelo Ministério da Agricultura,dando brecha às irregularidades.Essa realidade, em consonância com dados da ONU, os quais indicam que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, aponta para a necessidade de medidas do Estado para deterem tal problema.
Evidencia-se, portanto, que são muitas as consequências do uso dos insumos tóxicos e da má administração pública. Para contrapor as situações, cabe ao Poder Executivo, em ação conjunta ao Ministério da Agricultura, incentivar o consumo de alimentos orgânicos, por meio do apoio financeiro à agricultura familiar, de modo a tornar os preços mais acessíveis a todos, a fim de garantir maior qualidade aos alimentos que chegam até os brasileiros. Outrossim, o Poder Legislativo deve regularizar o uso de defensivos fitossanitários de acordo com recomendações da ONU, por intermédio de políticas rígidas, as quais terão a finalidade de reduzir as aplicações no país. Destarte, será possível conter tais impasses, na medida em que os princípios da Revolução Verde serão alcançados com segurança.