O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 28/11/2020
A Revolução Verde, ocorrida na segunda metade do século XX, foi responsável por introduzir técnicas inovadoras de produção no campo, como a transgenia e os agrotóxicos. Em primeira instância essas mudanças foram positivas, uma vez que aumentaram a produtividade agrícola, entretanto com o uso desregulado de agrotóxicos, os impactos ambientais foram agravados paralelamente aos riscos à saúde humana, assim, sendo necessário instituir políticas mais severas quanto à liberação de novos tóxicos, a fim de preservar os ambientes e processos que envolvem a cadeia produtiva da agricultura.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o uso de substâncias tóxicas pode gerar um grave desequilíbrio ecológico e colocar em risco o bem estar, não apenas do ser humano mas também de diversos outros seres vivos. Nesse sentido, pode-se perceber que a contaminação ocorre de duas maneiras: através do contato direto, trabalhadores do campo que aplicam o veneno, e do indireto, consumidores dos alimentos. Em ambos os casos a presença de resíduos tóxicos no organismo pode causar a falência respiratória, câncer e lesões renais, tal como apontado pela Orgnização Mundial da Saúde. Além disso, tais alterações no ambiente natural acarretam na morte da fauna e alteram de maneira drástica as relações ecológicas em equilíbrio.
Dessa forma, surge a problemática da possibilidade de ocorrer o aparecimento de pragas mais resistentes e imunes aos agrotóxicos. Visto que de acordo com o princípio da “Seleção Natural” de Charles Darwin, os pesticidas podem eliminar predadores naturais de outros seres vivos, que podem vir a se tornarem pragas, ou realizar a seleção de insetos mais resistentes gerando sua posterior reprodução em larga escala. Entretanto, esse cenário tende a ser minimizado nos países da Europa e nos Estados Unidos, em razão da proibição do uso de diversos defensivos agrícolas. Em contrapartida, o Brasil apresenta preocupante flexibilização quanto à liberação de novos agroquímicos, incluindo alguns até mesmo proibidos em outros países, tal como apresentado pela pesquisadora da Universidade de São Paulo Larissa Mies, especialista em agrotóxicos.
Em suma, pode-se concluir que é necessário que o Governo, por intermédio do Ministério da Agricultura proíba o uso de insumos tóxicos classificados de alto risco que não sejam extremamente essenciais à agricultura, isso deve ser feito por meio da busca de referências internacionais analisando os agrotóxicos já proibidos por outros países e da aplicação de multas. Ademais, pode-se fazer uso do controle biológico de pragas e incentivar a agricultura familiar, em quase sua totalidade isenta de agrotóxicos, por fim, diminuindo os riscos à saúde humana e ao meio ambiente. Dessa maneira, o resultado será uma sociedade mais saudável e menos suscetível a desenvolver doenças.