O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 21/03/2021

A Revolução Verde, ocorrida nas décadas de 60 e 70, foi descrita na época como a solução da fome mundial graças aos avanços tecnológicos ofertados por ela que intensificavam a produção dos alimentos. Isso fez com que o processo fosse fortemente apoiado pelos governos e grandes agricultores. Contudo, ele deixou diversas marcas negativas na sociedade, uma delas é o agrotóxico. Isso somado ao desejo do Governo Federal e do Congresso Nacional de saciar os produtores intensivos, faz com que o processo de flexibilização do uso dos agrotóxicos no Brasil seja potencializado, colocando a responsabilidade dos efeitos negativos à saúde da população causados por essas ações nas mãos dos governantes.

Não há como negar que o Governo federal e a maior parte do Congresso Nacional apoiam o uso intensivo dos venenos agrícolas, visto que nos últimos 3 anos, mais de mil produtos desse tipo foram autorizados por estas instituições a serem comercializados no Brasil, dados fornecidos pelo Ministério da Agricultura – órgão responsável pela regularização da prática no país. Nesse sentido, observa-se uma discrepância entre a Nação brasileira e as demais, visto que essas substâncias são proibidas em diversos países por ser comprovado que elas causam danos à saúde humana. Além disso, o desrespeito por parte dos agricultores diante do limite do uso de agrotóxicos estabelecido atenua a problemática, fazendo com que os alimentos sejam mais tóxicos que o esperado.

Tais fatores resultam em uma ingestão elevada desses venenos pela população e pelos trabalhadores rurais, ocasionando o desenvolvimento de doenças e a intoxicação desses indivíduos. Esses aspectos são retratados no documentário “O Veneno Está na Mesa”, em que se relata a história de Vanderlei Matos da Silva, que prestava serviços a uma empresa agrícola e desenvolveu hepatite graças à exposição a áreas contaminadas por agrotóxicos, que resultou em seu óbito. Casos como esse são consequências diretas da flexibilização do uso dessas substâncias tóxicas, evidenciando a negligência dos governantes com a saúde dos brasileiros.

Evidencia-se, portanto, a negligência dos Poderes Constitucionais diante da regularização dessas substâncias, causando efeitos negativos à vida das pessoas. Sendo assim, é necessário que o Governo Federal e o Congresso Nacional se unam para reverterem as medidas de flexibilização do uso de agrotóxicos tomadas nos últimos anos e, através de projetos de leis, regularizem a utilização mínima desses produtos nas plantações, para que, assim, os danos à saúde da população sejam minimizados de forma que ocorra cada vez menos incidentes como o de Vanderlei. Ademais, o Ministério da Agricultura deve investir mais na propagação do modelo de produção orgânico através de programas de incentivos aos pequenos e médios agricultores, a fim de torná-lo mais disseminado e democrático.