O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 02/05/2021

Dentre as muitas percepções veementes de Victor Hugo, expostas no livro intitulado “As contemplações”, está a de que “o progresso da roda constante sobre duas engrenagens: faz andar uma coisa esmagando sempre alguém”. Ao transcender estas palavras do poeta, dramaturgo e político francês para o cenário de utilização de agrotóxicos nas lavouras, vemos que há uma relação de dualidade no uso desses defensivos. Sendo assim, a conjuntura de historicidade no desenvolvimento de técnicas de produção e da tentativa de promover uma boa saúde pública acaba por explicitar ainda mais este conflito. Entretanto, deve-se ajustar determinadas engrenagens, no setor produtivo, para mitigar determinadas consequências.

Ao longo da história, o crescimento populacional implicou em melhorias na produção dos alimentos, desde Idade Média, por exemplo, a alquimia com seus experimentos clandestinos, já preparava o terreno científico para que nos séculos subsequentes, podesse haver a descoberta dos fertilizantes, inseticidas, herbicidas e fungicidas. Com isso, a humanidade pode aumentar exponencialmente a produtividade das lavouras, e assim garantir que uma espécie humana progredisse. Por conseguinte, depreende-se que esses magníficos avanços têm seus malefícios, pois produtos como o DDT-inseticida largamente utilizado após a 2º Guerra Mundial- tiveram seus danos revelados décadas depois, com a descoberta de sua bioacomulação tóxica e consequente prejuízo à saúde humana.

Ademais, é importante ressaltar a dualidade dos agrotóxicos na saúde pública. De um lado a fundamentalidade da alimentação diversificada, porém do outro a toxicidade de alimentos com excesso de defensivos que acabam causando graves intoxicações alimentares. À vista disso, é intuitivo observar a Constituição Federal de 1988, em que é descrito no Artigo 196º o direito irrefutável à saúde coletiva. Posto isso, é estritamente necessária uma intervenção social de equidade nesta problemática, para que possa-se estabelecer um paralelo viável entre alimentação e saúde comunitária.

Em virtude dos fatos expostos e em consonância às palavras aqui pautadas, conclui-se que há uma relação embaraçosa no uso dos produtos agrícolas. Assim, ajustarmos essas “engrenagens” desalinhadas, é primordial que o Ministério da Educação e do Meio Ambiente criem um programa de desenvolvimento massivo de novas tecnologias nas universidades federais, em que seja feito um aporte de recursos para que no longo prazo, toda a produção alimentícia seja livre de produtos maléficos à saúde e ao meio ambiente. Quando conseguirmos alinhavar a responsabilidade e garantia de alimentação, engrenagens essencial para o funcionamento social, tornar-nos-emos uma sociedade comprometida com sua população.