O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 18/06/2021
A revolução verde caracterizou-se como um conjunto de mudanças na dinâmica rural que envolveu a mecanização do campo, aumento da produtividade e outros benefícios, entretanto, essas mudanças não parecem ter benefícios sociais, ecológicos e nem de saúde já que trouxe consigo uma crescente e, aparentemente, incessante uso de agrótoxicos. O Brasil é um dos países que mais aprovam agrótoxicos por ano, o que dificulta ainda mais a minimização do uso dos mesmos. Esse problema tende a se agravar cada vez mais devido à política desenvolvimentista agrária e as descredibilização de pautas ambientalistas no cenário brasileiro.
Em primeira instância, é importante ressaltar que o Brasil é reconhecido por seus produtos agrários de exportação, como a laranja, a cana e a soja. Para aumentar os lucros e evitar gastos, os donos das plantações tendem utilizar venenos que protegem e desenvolver mais suas colheitas. À vista disso, muitos proprietários de terra possuem uma forte influência no congresso nacional, juntamente com a bancada ruralista. Segundo pesquisa divulgada pela folha, apenas em 2019, foram registradas cerca de 470 novos produtos para uso agrícolas, sendo muitas delas, com nível de toxicidade altas para o ser humano e para o meio ambiente.
Além disso, outro fator a salientar é o sucateamento e descredibilidade de temáticas ambientais. Pela constituição de 1988, os orgãos da Agência Nacional de Vigilancia Sanitaria (ANVISA), IBAMA e o Ministério da agricultura (MAPA) devem trabalhar juntas para que ocorra a analise, eficácia e liberação dos herbicidas e fungicidas, porém nota-se uma gradativa disputa entre esses orgãos. Exemplo disso foi o episódio que culminou, em 2019, na demissão de funcionários do IBAMA, que dificultaram ações ilegais por parte de agricultores, mas que logo foram criticados pelo MAPA e alguns partidos políticos que não se agradaram com a intervenção.
Em conformidade com os fatos apresentados, medidas devem ser efetivadas, a fim de mitigar os impactos e a exponencial utilização dos agrotóxicos. Desse modo, os orgãos responsáveis pela fiscalização e estudos da viabilidade e nocisividade dos defensivos agrícolas devem estabelecer críterios de análise à fim de fornecam um equilibrio ecológico e econômico para o uso de agrótoxicos. Além disso, o ministerio do desenvolvimento juntamente com o ministerio da agricultura devem ceder benéficios para os produtores que reduzem o uso de herbicidas e fungicidas, e incentivar financeiramente produtores orgânicos para a inserção de seus produtos no comércio local e mundial. Só assim, a revolução verde trará benéficios ambientais e para a saúde, e não só econômicos.