O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 12/08/2021

Durante toda a história da humanidade, a população mundial cresceu de modo lento e singelo. Todavia, com a Revolução Verde e seu conjunto de novas técnicas, houve o aprimoramento da agropecuária, que permitiu uma maior produção de alimentos e uma grande explosão demográfica. No entanto, tais avanços trouxeram também produtos químicos nocivos à saúde dos consumidores: os agrotóxicos. Sob esse viés, cabe analisar que, no Brasil, diferentemente de outras legislações, faz-se uso de defensivos agrícolas proibidos por sua periculosidade, graças à banalização de seus efeitos frente ao lucro que trazem.

A princípio, é importante pontuar que as leis brasileiras são preocupantemente flexíveis quanto ao uso de pesticidas banidos em outros países. Nessa ótica, o Instituto Fiocruz mostrou que, no Brasil, 70% dos alimentos consumidos têm agrotóxicos e, dentre eles, 30% contam com produtos não autorizados no mundo, principalmente na União Europeia, que tem uma rígida legislação agrícola. Ocorre que isso é extremamente prejudicial a grande parte do povo brasileiro que só pode comprar esse tipo de alimentação, haja vista que os orgânicos têm maior valor, muitas vezes inacessível a muitos. Logo, se o código de conduta da agricultura brasileira não for revisto, a nação verde-amarela sofrerá as consequências.

Ademais, é necessário acrescentar que, para esses produtos periculosos, os riscos acabam sendo ignorados frente ao lucro que se pode obter com o uso. Nessa conjectura, Hannah Arendt, filósofa alemã, em sua obra “Banalidade do mal”, disserta sobre como certos hábitos, mesmo nocivos à humanidade, são tidos como normais se assim são colocados. Com essa perspectiva, infere-se a incoerência de se usar certos agrotóxicos, pois mesmo que aumentem a produção e tornem os alimentos mais baratos, podem causar câncer e outras doenças aos consumidores, consumando a tese da autora. Assim, se tais venenos permanecerem por sua rentabilidade, a longo prazo, o país terá gastos prejudiciais com a saúde da população.

Portanto, vê-se que o uso de defensivos agrícolas, principalmente no Brasil, pode ser muito maléfico ao povo, o que torna necessário que mudanças sejam feitas. Para isso, urge que o Poder Legislativo, por meio de uma reforma no conjunto de leis, torne mais rígida a legislação sobre agrotóxicos, proibindo os que oferecem mais danos à saúde, com o intuito de diminuir os efeitos negativos dessa prática. Além disso, é interessante que as prefeituras incentivem a construção de hortas comunitárias, para que o consumo de alimentos orgânicos seja mais acessível a todos. Desse modo, o crescimento demográfico poderá continuar, porém, com pessoas mais saudáveis.