O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 07/10/2021

No clássico filme “Branca de Neve e os Sete Anões”, de 1937, a protagonista morre após comer uma maça envenenada que recebera de sua madrasta. Fora da ficção, o conto pode ser interpretado, no cenário hodierno, como uma metáfora crítica às mortes devido o uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo. Nessa instância, a problemática do uso indevido de pesticidas apresenta duas incógnitas sociais: a falta de fiscalização e capacitação de agricultores e a irresponsabilidade socioambiental.

Antes de mais, é sensato pontuar a insciência de produtores rurais quanto ao uso indiscriminado de  defensores agrícolas em plantações. Com esse entendimento, segundo o Programa de Vigilância da Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos, 1,5 milhão de trabalhadores rurais são vítimas de intoxicação devido os agrotóxicos em suas próprias plantações. Através de tal ótica, é possível compreender que a falta de fiscalização sanitária agrava a questão que ainda se encontra como incógnita para o governo. Em síntese, é imperativo a solução para a falta de conhecimento dos agricultores, que, em sinergia com a ausência de monitoramento, potencializa a incidência de intoxicação alimentar.

Outrossim, a irresponsabilidade socioambiental de empresas que lucram com o uso descontrolado de pesticidas é um fator preocupante para a saúde da população. Nesse enredo, o documentário “O Veneno Está na Mesa”, de 2011, exemplifica a questão ética de micro e macroempresas que têm consciência do uso indiscriminado de agrotóxicos e não fazem nada para solucionar o caso porque lucram com isso. Nessa impasse, consoante a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mais de 100 mil pessoas registraram intoxicação agudas por pesticidas em vegetais e verduras e quase 3 mil morreram por isso, o que invalida a saúde pública. Sendo assim, a adversidade está intrinsecamente conectada ao uso descontrolado de agrotóxicos por agricultores e empresas produtoras.

Depreende-se, portanto, que ações devem ser delegadas com o propósito de atenuar o uso de pesticidas no Brasil. Para tanto, é obrigação do Ministério da Agricultura — que tem como função social formular e implementar ações do agronegócio — conscientizar e capacitar os produtores rurais. Por meio de um projeto social, deve-se ministrar palestras, aulas e manuais que instrua os agricultores rurais leigos na utilização química correta e legitimada pelos órgãos de saúde pública. Paralelamente, é vital o aumento exponencial de fiscalizações sanitárias que permitam apenas defensivos agrícolas aprovados pela Anvisa. Dessarte, somente assim o Brasil priorizará a saúde pública e, assim como Branca de Neve, achar outros caminhos para combater as mazelas sociais.