O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 29/08/2021

Durkheim defendia que a sociedade prevalece coercitivamente sobre o indivíduo. Nesse contexto, a defesa da modernização de técnicas agrícolas sob o pretexto da irradicação da fome, em contraposto a uma sociedade individualista, manifestou-se, contudo, como um esquema irresponsável na busca por obtenção de lucro, salientando a abordagem frente ao uso de agrotóxicos. Desse modo, destacando um complexo debate contemporâneo.

Em primeiro lugar, cabe destacar o histórico de fundação da defesa do uso de agrotóxicos. A Revolução Verde, projeto que rendeu ao seu principal idealizador o prêmio Nobel da Paz, refere-se ao conjunto de técnicas de intensificação da produção agrícola direcionado ao combate à fome, em que os agrotóxicos se revelaram como um destaque. Entretanto, esse projeto possibilitou a intensificação da desigualdade no mundo, visto que a produção em países subdesenvolvidos se focou majoritariamente no mercado externo. Assim sendo, em consequência, a Organização das Nações Unidas (ONU) indica que quase 1 bilhão de pessoas passam fome atualmente, evidenciando a defesa de marcas que demonstram  o descompromisso efetivo no combate a estigmas sociais.

Ademais, deve-se considerar o impacto de uma lógica individualista na amplificação de tal questão no Brasil. Monteiro Lobato, por meio do seu personagem Jeca tatu, no último conto de “Urupês”, traçou a índole do brasileiro como conformista e cômoda. Essa postura, presente até o momento atual, corroborou na sustentação de uma lógica baseada na supremacia do indivíduo. Nesse sentido, a aplicação frequente em grande escala de produtos químicos, refletiu em uma série de danos ecológicas que são inconsequentemente ignorados, como a contaminação do solo, intoxicação das cadeias alimentares e desequilíbrio da fauna local. Logo, em paralelo ao estudo Durkheimiano, é evidente que, a hegemonia de uma lógica individualista, opõe-se ao progresso coletivo, direcionado por leis invisíveis.        Torna-se evidente, portanto, que a abordagem referente à utilização de insumos agrícolas apresenta entraves que devem ser combatidos. Nesse sentido, em concordância ao proposto pela ONU, é necessário, investir em métodos agroecológicos. Para tal, o Ministério da Agricultura, órgão incumbido da gestão das políticas públicas de estímulo à agropecuária e sistematização das normas ligadas ao setor deve investir na pesquisa em centros universitários, na busca por técnicas sustentáveis que possibilitem a produção de alimentos sem desconsiderar a preocupação com o meio ambiente, por meio de financiamentos e apoio político. Dessa maneira, direcionando o fortalecimento de um ciclo que, ao promover o estudo e conscientização, represente concretamente um caminho no combate à insegurança alimentar e garantindo segurança das futuras gerações.