O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo
Enviada em 30/10/2021
A “Lei da Inércia”, criada por Isaac Newton, afirma que um corpo tende a permanecer em seu estado inercial, parado ou em movimento, até que haja uma força que se oponha a essa tendência. Nessa lógica, o uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo se configura como um grave problema que tende a permanecer de maneira inercial, pela falta de políticas públicas, assim como prevê a Lei de Newton. Assim, compete ao Estado reverter esse quadro. Para tal, deve-se analisar as consequências do uso de agrotóxicos: depredação do meio ambiente e doenças decorrentes de sua intoxicação.
Sob esse viés, é válido destacar que os pesticidas degradam a natureza e diminuem a produtividade no campo. Nesse cenário, observa-se que a devastação do meio ambiente é catalisada por interesses econômicos. Dessa forma, os agricultores utilizam venenos agrícolas para tentar maximizar a produção. Todavia, essas substâncias eliminam não só pragas, mas também polinizadores naturais. Isto posto, de acordo com o professor da USP, Tiago Maurício, especialista em abelhas, em 3 anos, mais de meio bilhão de abelhas foram mortas por agrotóxicos. Assim sendo, todo o ecossistema ao redor das lavouras é prejudicado, ao passo que sem a polinização, diversas espécies vegetais são afetadas. Em decorrência, a evapotranspiração e a infiltração de água no solo são atenuadas, o que altera o regime das chuvas, por conseguinte, a produtividade das lavouras, diminui.
Ademais, os agrotóxicos afetam a saúde do consumidor, que pode desenvolver sérias doenças. Desse modo, segundo a Agência Pública e Repórter Brasil, 23% dos alimentos recolhidos nos mercados de São Paulo estavam com quantidades de pesticidas superiores ao permitido. Sob esse prisma, observa-se que essas hortaliças serão utilizadas sem o consumidor sequer saber da nocividade presente nelas. A respeito disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS), declara que o consumo ao longo da vida de grandes quantidades de pesticidas, podem desencadear problemas cardíacos, câncer e Parkinson. Nessa perspectiva, o aumento dessas enfermidades, irá ampliar os gastos do Estado com Sistema Único de Saúde, o que revela-se como um problema para os cofres públicos.
Portanto, é mister que diligências sejam tomadas para solucionar esse imbróglio. Logo, cabe a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, veicular uma campanha midiática na televisão- principal meio formador de opinião-, destinada aos produtores agrícolas, a fim de reduzir a utilização de agrotóxicos. Para tal, a EMBRAPA, deve ceder especialistas ao Ministério para gravar a campanha, explicitando de forma simples, por meio de vídeos práticos os benefícios financeiros e ambientais de ampliar a utilização do controle biológico de pragas em detrimento dos venenos. Destarte, a inercial problemática será alterada.