O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 25/11/2021

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, Sísifo atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão. Esse mito pode ser usado para representar a luta cotidiana dos cidadãos brasileiros, que buscam ultrapassar as barreiras às quais os separam do direito a uma alimentação sem o uso excessivo de produtos químicos. Nesse contexto, não há dúvidas de que a diminuição no uso de defensivos agrícolas é um desafio no Brasil, o qual ocorre, infelizmente, não só à negligência governamental, mas também à postura indolente da sociedade.

A Constituição Cidadã de 1988 garante saúde de qualidade como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso deste prover o acesso igualitário e universal às ações e serviços para a sua formação e proteção, todavia, o Poder Executivo não efetiva esse direito já que Segundo o Programa de Vigilância da Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos, 114.598 registros são feitos anualmente, devido à contaminação por agrotóxicos provando que os direitos permanecem no papel.

Outro ponto relevante é o conceito de Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, que explica a queda das atitudes éticas pela fluidez dos valores, um fim de atender aos interesses pessoais, aumento o individualismo. Desse modo, o sujeito, ao estar imerso nesse panorama líquido, acaba por perpetuar o aumento da produtividade proporcionada pelo uso de defensivos agrícolas em detrimento da saúde humana e do meio ambiente “pragas” cada vez mais resistentes, prejudicando o consumidor que acredita estar levando um produto saudável para sua família. Em vista disso, os desafios para a diminuição do uso de agrotóxicos estão presentes na estruturação desigual e opressora da coletividade.

Portanto, cabe ao poder Executivo Federal, por meio do Ministério da Agricultura, impulsionar debates internacionais e o enfrentamento da concentração do sistema alimentar mundial, com vistas a estabelecer regras que disciplinem a atuação das corporações transnacionais, para combater as sucessivas violações do direito humano à alimentação.Além disso, os legisladores devem desenvolver um projeto de lei contra o uso excessivo de agrotóxicos em produções agrícolas. Desse modo, os brasileiros terão acesso a produtos que não prejudicam a saúde.