O uso de agrotóxicos no Brasil e no mundo

Enviada em 04/09/2022

A teórica alemã Hannah Arendt, em “A Banalidade do Mal”, refletia sobre o resultado do processo de massificação da sociedade, o qual formou indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados e aceitando situações sem questionar. Essa perspectiva, analisada pela pensadora, simboliza claramente o comportamento da sociedade diante do uso de agrotóxicos no Brasil e no cenário global. Sendo assim, fatores como a mentalidade capitalista, além do consumismo do corpo social, estimulam tal óbice.

Em primeira análise,é válido ressaltar a percepção lucrativa das grandes empresas como promotor desse viés. Para o sociólogo alemão Karl Marx, o sistema capitalista visa ao lucro e, assim, ignora os efeitos negativos criados por essa busca excessiva pelo capital. Nesse sentido, é notório que grande parte dos fornecedores do país ja se utilizam de agrotóxicos para aumentarem o rendimento de seus alimentos e, consequentemente, lucrando em cima dessas ações, tal feito pode trazer vários riscos não só aos consumidores, mas também à natureza e aos animais que são prejudicados pela má conduta do Homem. Desse modo, é primordial que essas companhias reformule seu comportamento de maneira urgente.

Ademais, é fundamental apontar o consumo exacerbado pela população como impulsionadora dessa mazela. Em sua obra “O príncipe da responsabilidade”, Hans Jonas afirma que, devido as ações antrópicas, o ser humano caminha rumo à sua autodestruição. Nessa lógica, observa-se que,parte da responsabilidade das causas geradas no mundo como citado pelo ideal, é em decorrência da falta de controle da coletividade em consumir os produtos sintéticos presentes em sua alimentação, o que faz com que esse feito excessivo dificulte a reversão do cenário hodierno.Logo, é inadmissível que esse panorama continue a perdurar.

Depreende-se,portanto,a necessidade do Governo Federal -em promover a criação de políticas públicas - por meio de subsídios governamentais, que irão impôr a limitação do uso de defensivos agrícolas, além de investir no setor da agricultura orgânica no país, visando o pleno progresso comum. Quiçá,nessa via, tornar-se-á possível a formação de indivíduos capacitados em questionar a qualquer situação, questões análogas em que estão inseridos, tal fora apregoado por Hannah Arendt.